Pratini prioriza parceria com a União Européia
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quarta-feira, 28 de março de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A União Européia (UE) é a prioridade natural do Brasil em parcerias comerciais. Mas não temos nada contra a ALCA, disse ontem o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, em reunião com empresários de agribusiness, em São Paulo. O objetivo do encontro era elaborar uma proposta para as negociações de formação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA). A próxima reunião continental de negociações ocorre no dia 22 de abril, em Quebec, no Canadá.
De acordo com Pratini, o Brasil tem de estar atento para o que é melhor para o País, e o melhor, segundo ele, é a abertura de mercado para os produtos agropecuários. O Brasil não vai aceitar nenhum tipo de negociação internacional, seja com a ALCA, com a UE, ou com a OMC, se as questões agrícolas não forem discutidas. O agronegócio é o negócio do Brasil no mercado global, é a área na qual podemos oferecer excelência, disse o ministro.
Pratini mostrou aos empresários que a União Européia é o destino de 45% das exportações agrícolas brasileiras, enquanto a ALCA, com exceção dos países do Mercosul, recebe 15% das exportações. Dentro da ALCA, os Estados Unidos são o principal comprador de produtos do Brasil, com 53% do total, seguido pelo Mercosul, com 27%. Mas as importações agrícolas brasileiras tem origem principalmente no Mercosul, com 77% do total, seguido pelos Estados Unidos, com 12%.
O ministro disse que o Brasil, junto com o Mercosul, é praticamente auto-suficiente na produção agropecuária, o que torna a ampliação deste tipo de comércio com os outros países da ALCA uma perspectiva limitada. Pratini destacou que o País precisa combater, nos fóruns internacionais, as distorções comerciais impostas pelos países que compram mercadorias do Brasil, e lembrou os picos tarifários estabelecidos pelos EUA, como 40% para o suco de laranja e 350% para o fumo. Também foi apontada como nociva a política de escalada tarifária, em que a compra de produtos primários não é taxada, mas aplica-se uma tarifa sobre o mesmo produto processado ou semi-processado. Como exemplo, ele citou o fato de os Estados Unidos aplicarem tarifa zero para a soja em grão e de 19,1% para o óleo de soja.
Um dos principais entraves à formação da ALCA, de acordo com o ministro, é a política de subsídios adotada pelos Estados Unidos. Em 2000, o governo americano aplicou US$ 32,3 bilhões em subsídios. Desse total, US$ 22,1 bilhões foram gastos em pagamentos diretos aos produtores, o que correspondeu a 48,7% da renda agrícola dos norte-americanos no ano passado. Em 1995, os Estados Unidos aplicaram somente US$ 6 bilhões em subsídios agrícolas, valor que aumentou cinco vezes desde então.


