Pratini não cede ao transporte de gado
Vânia Casado
De Curitiba
O ministro da Agricultura, Marcus Vinicius Pratini de Moraes, descartou ontem, em Curitiba, a possibilidade do Ministério flexibilizar as regras que impedem o transporte de animais para o abate e carne com osso do Mato Grosso do Sul e Rondônia para os estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste, que tem em São Paulo o maior mercado consumidor.
Pratini admitiu que as regras são rígidas, mas argumentou que elas foram discutidas com as associações e federações de criadores, que sabiam que esse ajuste teria um ônus.
Pratini de Moraes esteve em Curitiba participando da solenidade de abertura do 1º Encontro Estadual de Conselhos de Sanidade Agropecuária, que reuniu 150 conselhos municipais e intermunicipais instalados pela Secretaria da Agricultura no ano passado. O ministro admitiu que está recebendo pressões por parte de pecuaristas e industriais da região Centro-Oeste, que querem a volta do livre transporte de animais para o abate e carne com osso.
Destacou que o fechamento de fronteiras faz parte do cumprimento de normas estabelecidas pela Organização Internacional de Epizootias (OIE) para as áreas e regiões que estão reivindicando a declaração de área livre de febre aftosa. E a flexibilização das regras agora representam um retrocesso em todo esse processo, disse o ministro. Pratini lembrou que a OIE está atenta ao cumprimento dessas normas porque a liberação dos estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste representa a entrada em potencial de 62 milhões de cabeças de gado no mercado internacional.
Para o ministro trata-se de um volume que acirra a concorrência internacional e por isso temos que estar preparados para isso. Segundo Pratini, um retrocesso agora representa a perda de mercado internacional e queda nos preços da carne bovina.
Para o secretário nacional da Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, o papel do ministério é fazer cumprir as regras estabelecidas pela OIE. Ele lembrou que o Paraná já enfrentou esse problema, inclusive com prejuízos econômicos, quando Rio Grande do Sul e Santa Catarina fecharam suas barreiras proibindo a entrada de animais e carnes de outros estados da federação. Agora chegou a vez dos estados do Circuito Pecuário Centro-Oeste, do qual fazem parte o Paraná, São Paulo, Distrito Federal, parte de Minas Gerais, de Goiás e do Mato Grosso. O estado do Mato Grosso do Sul e as demais partes dos estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso foram consideradas zona-tampão, que estão aguardando prazos para serem incorporados ao Circuito.
Segundo Oliveira, um recuo agora significa um retrocesso e ameaça concreta de retirar o Brasil dessa condição de ter a zona livre ampliada. O papel do ministéiro da Agricultura é o cumprimento estrito das regras estabelecidas, a não ser que o conjunto da sociedade brasileira opte por retroceder nesse processo. Só que a sociedade tem que estar consciente das consequências desastrosas que isso terá para o país que já investiu mais de US$ 1,5 bilhão.O ministro da Agricultura disse ontem, em Curitiba, que não vai flexibilizar as regras para o transporte de animais e carnes
José SuassunaLuiz C. Oliveira: seria um retrocessoNÃO TRANSIGEPratini, no Encontro de Sanidade Agropecuária, ontem, em Curitiba: sem flexibilidade





