O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes informou ontem, através de sua assessoria de comunicação, que ainda não foi encontrada uma solução para atender ao pleito dos arrozeiros. Na reunião que manteve com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, ontem à noite, e na qual o assunto foi tratado
juntamente com o plano de safra 2000/2001, não foi possível chegar a um consenso sobre qual a melhor forma de equacionar o problema.
O ministro também mandou um recado aos arrozeiros, advertindo que não costuma trabalhar sob pressão, referindo-se à série de protestos que os produtores pretendem realizar no Rio Grande do Sul. ‘‘Sob pressão eu trabalho muito mal. Quanto maior a pressão mais eu demoro a resolver. Pressão para mim funciona ao contrário’’, afirmou.
Pratini informou que a maior dificuldade em atender ao pleito dos arrozeiros está não somente no custo adicional que a operação trará ao governo, mas na mudança que este pode ocasionar à própria prática de contratos de opção (mecanismo pelo qual o governo se compromete a comprar a produção quando o preço do mercado estiver abaixo do preço mínimo estipulado pelo Ministério da Agricultura). ‘‘O sistema não pode se transformar em uma simples compra com 60 dias de prazo’’, disse o ministro.
Os arrozeiros gaúchos estão querendo que o governo se comprometa a adquirir 250 mil toneladas de arroz através de contratos de opção por R$ 15,87 (arroz longo fino tipo 1, com rendimento entre 58% a 60% de grãos inteiros) a saca de 50 quilos e R$ 16,00 (para o produto com rendimento acima de 60% de grãos inteiros).
No dia 9 deste mês o governo suspendeu os leilões de contratos de opção, cujo preço estava fixado em R$ 14,40 a saca, atendendo a um pedido dos arrozeiros, porque o prêmio mais outras despesas que estes estavam pagando para participar dos leilões estava muito alto (R$ 1,07 por saca).
Na mesma ocasião, após entendimento com o setor, o governo decidiu comprar diretamente o produto através de AGFs (aquisições do governo federal), pagando um preço mínimo de R$ 12,38 pela saca de arroz. Para esta operação dispunha de R$ 100 milhões, quantia suficiente para comprar até 400 mil t de arroz.
Estas aquisições, no entanto, não chegaram a ser feitas, porque os produtores pediram que a medida fosse suspensa e que o governo voltasse a promover os leilões de venda de contrato de opção com os preços, contudo, de R$ 15,87 e R$ 16,00 a saca do produto. O argumento dos produtores é de que o seu custo de produção é muito alto, entre R$ 14,00 a R$ 15,00 pelo saco de arroz.
O ministro também ressaltou que o problema do arroz no Rio Grande do Sul não diz respeito a somente esta safra, razão pela qual o assunto deve ser conduzido com cautela. Pratini observou que, ao elevar muito o preço do produto, como estão querendo os arrozeiros, outros Estados que possuem custo de produção menor, como o Mato Grosso, serão estimulados a produzir.
Esta produção poderá suprir toda a necessidade de consumo do País, alijando os produtores do Sul do setor. ‘‘Minha preocupação é com a metade Sul do Rio Grande do Sul, que é a mais pobre e depende do arroz’’, disse Pratini.

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