O ministro da Agricultura e do Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, disse ontem que o Brasil não está promovendo nenhum sistema de retaliação contra a Argentina, com o embargo das importações de produtos vegetais produzidos no país vizinho. ‘‘Tudo que surgir em torno de retaliações, guerra comercial ou coisas parecidas são provocações de especuladores. Não aceito e não tolero esse comportamento’’, ressaltou.
Ele esclareceu que estão suspensas as importações de todos os produtos vegetais ‘‘in natura’’ da Argentina e determinadas restrições aos alimentos acabados derivados de vegetais, como é o caso de óleos comestíveis expostos a temperatura elevada, depois de prontos para o consumo. Quanto ao trigo, explicou que a safra argentina desse cereal acontece entre outubro e novembro, acrescentando que ‘‘até lá esperamos que o embargo seja suspenso’’.
Para o ministro não existe comparação entre o que acontece atualmente entre o Brasil e a Argentina, com a situação vivida entre Brasil e Canadá no episódio vaca louca. ‘‘Nós fomos surpreendidos pelos canadenses com uma medida injustificável. O que acontece com esse embargo decido pelo governo brasileiro é que houve todo um processo de preparação, com uma escala de medida, até chegar na suspensão das importações de produtos vegetais argentinos’’, disse.
‘‘Em agosto do ano passado fechamos a fronteira em três províncias do Rio Grande do Sul para impedir a entrada de boi em pé e carne com osso da Argentina. Em fevereiro ampliamos a vigilância em toda a fronteira com aquele País, e esta semana o Exército montou barreira em quatro áreas, visando impedir o contrabando de gado argentino para o Brasil’’, afirmou Pratini.
A última medida foi o embargo publicado no Diário Oficial da União de ontem, ainda segundo o ministro. ‘‘Nossa preocupação é não deixar a febre aftosa entrar no Brasil. Temos a melhor carne bovina do mundo e devemos proteger essa mercadoria com o máximo de rigor. O Brasil nunca vendeu. Sempre foi comprado, estamos mudando essa condição e não queremos que nada prejudique essa direção’’, desabafou.
Depois de dizer que ampliará até onde for necessário o marketing da carne bovina brasileira, informou que está contratando temporariamente de 50 a 60 formadores de opinião pública da Europa. ‘‘São grandes chefes de cozinha internacional, editores de revistas especializadas em culinária e outros do gênero, que integrarão o programa de ampliação desse tipo de marketing’’, concluiu.(Agência Estado)

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