Pratini defende transgêncos
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sábado, 15 de dezembro de 2001
Gecy Belmonte<br>Agência Estado 
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem que aguarda com expectativa a votação do substitutivo do deputado Confúcio Moura (PMDB-RO) aos projetos que regulamentam a produção e comercialização de produtos geneticamente modificados, prevista para a próxima terça-feira. O ministro voltou a defender o cultivo dos chamados produtos transgênicos no País, que é combatido por entidades ambientalistas, por entender que o Brasil não pode ficar à margem desse tipo de tecnologia.
Pratini lembrou que países como Argentina, Estados Unidos e China já vêm cultivando soja e algodão transgênicos, obtendo redução de custos de cerca de 40% e conseguindo, com isso, ampliar sua participação no mercado internacional. ''Isto já se refletiu neste ano na cultura de algodão no Brasil, que teve uma redução de 18,1% na produção'', disse o ministro. A produção e venda de transgênicos no País está bloqueada por ações judiciais, o que tem impedido o desenvolvimento dessa tecnologia.
Na avaliação do ministro, o Brasil deve ter condições para produzir tantos os produtos transgênicos como os orgânicos e os convencionais.
Genoma Pratini fez os comentários durante a inauguração de dois laboratórios da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), considerados estratégicos s para o desenvolvimento do setor de agronegócios: o Laboratório de Genoma Funcional (LGS) e o laboratório de Visualização de Pragas. Os dois laboratórios consumiram investimentos de US$ 2,5 milhões.
Segundo o diretor da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), Luis Antonio de Castro, o LGS dará condições à Embrapa de identificar milhares de genes úteis para o desenvolvimento de novas variedades de plantas. Ele destacou que estão em andamento na Embrapa três importantes pesquisas genéticas: a identificação do genoma funcional de raízes, para saber quais genes permitem às plantas ter resistência à seca, ao alumínio tóxico e a fungos; o genoma funcional do carrapato bovino, para desenvolver uma vacina contra a praga; e o genoma do fungo vassoura da bruxa, que ataca as plantações de cacau.
Serão iniciados agora, pesquisas para definir o genoma funcional da banana e do café.
O presidente da Embrapa, Alberto Portugal, explicou que o laboratório de visualização de pragas permitirá reduzir de 15 dias para apenas duas horas o tempo de análise de pragas que possam entrar no País com a importação de produtos agropecuários.
Em vez de esperar pelo encaminhamento de materiais para análise de laboratório, os técnicos utilizarão um software que permite o envio da imagem digital do produto (plantas, animais ou alimentos) ao Cenargen, onde os especialistas poderão emitir o parecer em tempo real. O governo está investindo US$ 50 milhões na implantação do sistema nos principais portos e aeroportos.
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