Marcelo AlmeidaNovas alternativasPratini de Moraes defende aumento das linhas de crédito para exportaçãoO presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, defendeu ontem em Curitiba a desvalorização lenta e gradual do real frente ao dólar. Para ele, esta medida seria uma das mais importantes para reduzir o déficit da balança comercial. Pratini de Moraes, que esteve em Curitiba para participar do 4º Encontro de Comércio Exterior e da reunião do Conselho de Comércio Exterior da Associação Comercial, disse que a desvalorização das moedas do mercado europeu e asiático prejudica ainda mais as relações comerciais do Brasil.
O País está com um déficit acumulado na balança comercial de US$ 6 bilhões (janeiro a setembro). Neste ano foram exportados US$ 39,6 bilhões contra uma importação de US$ 45,7 bilhões. As exportações têm apresentado um crescimento considerado muito lento pelo governo federal. A previsão para este ano é exportar 10% mais que no ano passado, quando houve aumento de 3% em relação a 1995.
Segundo Pratini de Moraes, aumentar as linhas de financiamento é uma das alternativas para incentivar a exportação. O Ministério da Indústria e Comércio disponibilizou uma linha de crédito de R$ 4 bilhão para empresários interessados em exportar. Mas apenas 40% dos recursos foram requisitados em todo País.
‘‘Das 1,1 mil empresas paranaenses que poderiam ter os financiamentos, apenas 17 solicitaram’’, afirmou o diretor de Política e Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Comércio, Hélio França. Mesmo assim, a linha de crédito será ampliada para R$ 1,4 bilhão no próximo ano. O Banco do Brasil é o agente financeiro para exportação. O dinheiro é liberado com uma taxa de 6% ao ano. O prazo de pagamento é de 10 anos.
França acredita que a pouca procura pelos empréstimos se deve ao desconhecimento. ‘‘O empresário muitas vezes não sabe das vantagens e outras vezes acha que não tem capacidade para exportar’’, avaliou.
Ex-ministro de Indústria e Comércio e Minas e Energia, Pratini de Moraes discorda da colocação de França. ‘‘A culpa não é do empresário, mas sim dos bancos que não viabilizam as linhas de crédito, porque acham que as margens (de lucro) são pequenas’’, afirmou. Segundo Pratini de Moraes, a modernização dos portos e a reforma tributária serão outros dois fatores que impulsionarão as exportações.

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