Pratini de Moraes defende a desvalorização do Real
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sexta-feira, 07 de novembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Marcelo AlmeidaNovas alternativasPratini de Moraes defende aumento das linhas de crédito para exportaçãoO presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, defendeu ontem em Curitiba a desvalorização lenta e gradual do real frente ao dólar. Para ele, esta medida seria uma das mais importantes para reduzir o déficit da balança comercial. Pratini de Moraes, que esteve em Curitiba para participar do 4º Encontro de Comércio Exterior e da reunião do Conselho de Comércio Exterior da Associação Comercial, disse que a desvalorização das moedas do mercado europeu e asiático prejudica ainda mais as relações comerciais do Brasil.
O País está com um déficit acumulado na balança comercial de US$ 6 bilhões (janeiro a setembro). Neste ano foram exportados US$ 39,6 bilhões contra uma importação de US$ 45,7 bilhões. As exportações têm apresentado um crescimento considerado muito lento pelo governo federal. A previsão para este ano é exportar 10% mais que no ano passado, quando houve aumento de 3% em relação a 1995.
Segundo Pratini de Moraes, aumentar as linhas de financiamento é uma das alternativas para incentivar a exportação. O Ministério da Indústria e Comércio disponibilizou uma linha de crédito de R$ 4 bilhão para empresários interessados em exportar. Mas apenas 40% dos recursos foram requisitados em todo País.
Das 1,1 mil empresas paranaenses que poderiam ter os financiamentos, apenas 17 solicitaram, afirmou o diretor de Política e Comércio Exterior do Ministério da Indústria e Comércio, Hélio França. Mesmo assim, a linha de crédito será ampliada para R$ 1,4 bilhão no próximo ano. O Banco do Brasil é o agente financeiro para exportação. O dinheiro é liberado com uma taxa de 6% ao ano. O prazo de pagamento é de 10 anos.
França acredita que a pouca procura pelos empréstimos se deve ao desconhecimento. O empresário muitas vezes não sabe das vantagens e outras vezes acha que não tem capacidade para exportar, avaliou.
Ex-ministro de Indústria e Comércio e Minas e Energia, Pratini de Moraes discorda da colocação de França. A culpa não é do empresário, mas sim dos bancos que não viabilizam as linhas de crédito, porque acham que as margens (de lucro) são pequenas, afirmou. Segundo Pratini de Moraes, a modernização dos portos e a reforma tributária serão outros dois fatores que impulsionarão as exportações.


