A alta carga tributária brasileira - uma das mais altas do mundo - foi duramente criticada ontem pelo ex-ministro da Agricultura Marcus Vinícius Pratini de Moraes, presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec). Ele esteve em Londrina para participar do 4º Congresso Brasileiro de Soja como palestrante sobre o agronegócio. ''É o único sistema do mundo que onera a produção e a geração de empregos. Cerca de 40% da nossa renda tem que ser oferecida ao serviço público'', salientou.
Na sua avaliação, ''falta entendimento'' ao governo para enxergar que o agronegócio é o principal responsável pelo saldo positivo da balança comercial. ''O atual governo federal não acredita na agricultura, o valor está só no MST (Movimento dos Agricultores Sem Terra) e nas invasões de terra'', disse. Segundo ele, inclusive, a carga tributária faz com que os produtos agrícolas sejam exportados sem qualquer beneficiamento. Ao contrário do que ocorre na Argentina, país que tem maior capacidade de esmagamento da oleaginosa do que o Brasil, apesar de ter uma produção menor.
O fato é que a falta de políticas públicas e de incentivos para a agricultura reflete diretamente no crescimento da economia. ''A economia brasileira cresceu somente 2,3% no ano passado porque o agronegócio não cresceu. O agronegócio é responsável por um terço da balança, mas está diretamente ligado a outros setores da economia'', comentou Pratini de Moraes. Segundo ele, há seis anos o governo federal concentrou esforços para modificar o resultado da balança comercial, que até então era negativo, investindo no agronegócio. O saldo de comércio exterior ajuda na definição do risco Brasil e das taxas de juros pagas pelo País no exterior.
Mesmo com variáveis negativas ao agronegócio brasileiro, o ex-ministro reforçou a importância de aumentar a área plantada, em função da crescente demanda por produtos para alimentação humana e para animais de pequenas criações. ''O Brasil é a última fronteira agrícola do mundo, precisamos aumentar a nossa capacidade de produção, com o uso de tecnologia e elaborar uma gestão de recursos hídricos. O mundo precisa do Brasil para comer'', argumentou. Esse aumento de área, na sua opinião, poderia vir da redução de pastagens (com o confinamento), de reservas legais, florestas, entre outros itens.
O foco das exportações, de acordo com Pratini de Moraes, deve estar nos países emergentes, cujo volume exportado tem crescimento de 23% ao ano contra 10% dos países desenvolvidos. ''A agricultura enfrenta muita volatilidade com a política cambial, mas esse câmbio não vai mudar até o final do ano. Moeda nacional valorizada dá uma falsa ilusão de um país rico'', avaliou. Para aumentar o comércio com os países desenvolvidos, a sugestão é investir em produtos com maior valor agregado.
Custos - O custo de produção da soja é fruto de três variáveis: custos de produção, política cambial e logística (frete). ''O Brasil é um dos únicos países do mundo que não tem uma frota naval. Dessa forma, não dá para controlar o preço internacional do frete'', disse o ex-ministro. Quanto à melhoria da infra-estrutura interna, ele está descrente com os governos. ''Talvez a solução esteja nos pedágios, não podemos esperar nada dos governos'', observou.

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