O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, fez ontem em Nova York duras críticas à política americana de subsídio à agricultura. ‘‘Os Estados Unidos estão deprimindo os preços internacionais’’, disse, em referência aos subsídios que o governo concede aos agricultores. ‘‘Aqui o governo paga aos agricultores, enquanto no Brasil somos competitivos pela nossa capacidade, sem ter de recorrer ao Tesouro’’, enfatizou, em palestra para empresários e investidores americanos reunidos pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.
O ministro citou como exemplo de subsídio exagerado o caso da soja americana. A ajuda oficial aos produtores dos Estados Unidos multiplicou-se nos últimos anos, passando de US$ 109 milhões em 1992 para US$ 3,8 bilhões no final dos anos 90. ‘‘É um sistema extremamente artificial de comércio agropecuário’’, reclamou.
Questionado por um empresário se o Brasil vai recorrer à Organização Mundial de Comércio (OMC) para reverter o quadro, o ministro confirmou a intenção. ‘‘É uma questão delicada, que está sendo avaliada e será submetida a mim para tomarmos uma decisão em breve’’.
Pratini não teme que, caso o Brasil recorra à OMC, as relações entre os dois países fiquem estremecidas. ‘‘Os americanos fazem isso o tempo todo’’, afirmou. ‘‘Isso não é uma briga; é uma questão comercial.’’
O ministro da Agricultura disse que a prática do subsídio vem sendo adotada pela maioria dos países ricos, principalmente os da União Européia e o Japão. ‘‘Isso vem causando a miséria de milhões de agricultores no mundo todo’’, reclamou. Segundo cálculos do Ministério da Agricultura, apenas 30% do que é investido pelos governos vão parar efetivamente nas mãos dos produtores; 70% ficam com intermediários. Outro entrave sã o as pesadas tarifas impostas aos produtos brasileiros. ‘‘Alguma coisa tem de ser feita’’, cobrou. ‘‘Somos competitivos e temos como produzir 100 milhões de toneladas de grãos. Mas a questão é saber para quem vender e a que preço.’’
Segundo o ministro, se as barreiras não forem derrubadas, o comércio com estes países se tornará inviável. ‘‘O livre comércio tem de ter duas vias e nós já fizemos muitas concessões’’, disse. ‘‘Como podemos abrir mais nossa economia se não existe abertura para nós?’’
Transgênicos Pratini também enfatizou sua intenção de liberar a produção de grãos geneticamente modificados no País. ‘‘Estamos investindo pesado nesta área’’, confirmou. ‘‘Estamos sendo cuidadosos ao aprovar. Mas para nós é claro que não se deve deter o avanço tecnológico.’’ Ele confirmou que assina na semana que vem o despacho que libera o cultivo de transgênicos no País.
Inicialmente serão permitidos 5 tipos de soja geneticamente modificadas. A autorização do ministério, no entanto, vai além disso. ‘‘Vamos não só confirmar o registro de sementes geneticamente modificadas como também estabelecer um sistema de certificação para a soja não-transgênica.’’

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