Pratini anuncia ''seguro de safras''
José Ramos
Agência Estado
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse que o grupo de trabalho ministerial sobre desenvolvimento decidiu em sua reunião ontem, no Palácio do Planalto, implantar o seguro de safras no Brasil. Ele acredita que, até o fim do ano, o instrumento estará em vigor. O seguro para a lavoura deverá apoiar também a abertura das operações de futuros aos investidores estrangeiros, o que permitirá que pelo menos 60% da safra de milho e soja seja financiada por capital externo.
Pratini - que não forneceu mais detalhes sobre o seguro, adiantando apenas que a proposta defintiva fica pronta ainda este mês - disse que o governo está analisando com cautela a pauta de reivindicações dos agricultores que planejam um protesto em Brasília ainda este mês. Não vamos analisar perdendo o princípio da responsabilidade fiscal, disse o ministro. Segundo ele, reivindicações como a de alongamento da dívida, conforme proposta que tramita no Congresso, é muito difícil de ocorrer.
Perdão, então, nem pensar, disse o ministro referindo-se a outra reivindicação de que seja perdoado 40% do débito dos agricultores. Segundo Pratini de Moraes, o que pode ser estudado são formas de ajudar os agricultores a enfrentar a queda no preço de produtos agrícolas no mercado internacional.
O ministro da Agricultura anunciou, ainda, em entrevista concedida no Palácio do Planalto, que os ministros da Câmara do Desenvolvimento, que se reuniram na manhã de ontem, decidiram envolver os secretários de Agricultura na mobilização pela reforma tributária. A estrutura tributária tem não só um viés anti-exportação, mas também anti-agricultura, afirmou o ministro, para quem é importante mostrar essa preocupação aos agricultores.
Pratini anunciou ainda que desde o último domingo as fronteiras dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão fechadas para o gado bovino de outras regiões. A decisão faz parte do programa de combate a febre aftosa, que já foi erradicada naqueles dois estados. A medida cumpre a exigência dos países consumidores de carne dos dois estados no exterior.
Pratini previu que no prazo de 12 a 24 meses a aftosa estará erradicada também no Paraná, São Paulo, Goiás, Mato Grosso e oeste de Minas Gerais.
Ele viajou ontem à tarde para São Paulo, onde participou de seminário sobre a posição que o Brasil deve adotar na rodada do milênio da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para mim o Brasil já abriu demais e agora precisamos trabalha para que os outros abram seus mercados para nós, mesmo que tenhamos que fazer alguma concessão, disse o ministro.





