Pratini anuncia recursos para café
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de dezembro de 2000
Oswaldo Petrin De Londrina 
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem, em Londrina, que o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou recursos de R$ 42 milhões para financiamento de investimento na cafeicultura nacional e que o Paraná pode contar com esses recursos. A decisão, tomada na quinta-feira, terá aplicação imediata, porque o dinheiro é do Funcafé e não depende de burocracia, garantiu. Outra medida anunciada ontem pelo ministro foi com relação ao trigo: o governo vai garantir aporte de recursos para financiar a produção, em valores que já estão sendo definidos, e vai retomar medidas como EGF. A meta é aumentar a produção para 5 milhões de toneladas. Está havendo entendimento com o setor moageiro nacional para que as indústrias antecipem a compra de 50% da produção da próxima safra.
Pratini participou da cerimônia de assinatura do Contrato de Cooperação Técnica e Financeira entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária. À cerimônia compareceram também o presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal; o secretário da Agricultura do Paraná, Antônio Poloni; o presidente da Fundação Meridional, Geraldo Rodrigues Fores, o senador Osmar Dias e deputados federais, além de representantes de instituições de pesquisas, produtores de sementes, universidades e lideranças da agropecuária.
Antes de discursar o ministro disse à imprensa que convênios de cooperação técnica e financeria como o realizado ontem são necessários para fortalecer a pesquisa e a semente nacionais. Afirmou que em todo o mundo as empresas estão se fundindo e se fortalecendo.
O próprio setor de insumos agrícolas é um bom exemplo com megafusões no valor de US$ 13 bilhões. No discurso, Pratini disse que a necessidade de conviver com o mundo globalizado implica em fortalecer nossos produtores e instituições e que acordos de cooperação entre setores públicos e privados são um instrumento importante neste contexto. Alimentos são uma questão de segurança nacional; sementes estão no cerne da questão.
Pratini também aproveitou para criticar alguns aspectos importantes da globalização ao dizer que países ricos defendem a abertura de mercado, de lá para cá, mas daqui para lá mantêm-se fechados e ciosos da salvaguarda de seus produtos e produtores. Pratini também disse que pretende ser incisivo na próxima terça-feira, na Organização Mundial do Comércio (OMC). Vai dizer que sem acordos que incluam produtos agrícolas agora, não será preciso realizar a próxima rodada. Sem negociar determinados produtos agrícolas, não se negocia mais nada na OCM, resumiu.
Sobre a importância do setor sementeiro, Pratini disse que no próximo plano de safra haverá um capítulo exclusivo para a semente.
Parcerias O presidente da Embrapa, Alberto Duque Portugal, ao abrir a cerimônia de assinatura do contrato, defendeu a importância das parcerias entre setores públicos e privados com muita clareza quanto aos objetivos de cada um.
Sobre a parceria, disse que novas cultivares de soja devem ser desenvolvidas como resultado do acordo. Elas serão multiplicadas por produtores de sementes da Fundação Meridional. A Fundação reúne mais de 90% dos produtores de sementes de soja dos Estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, responsáveis por 37,5% da produção nacional de sementes.
O contrato de cooperação técnica entre Embrapa e Fundação Meridional resulta de um trabalho cooperativo que teve início na safra 89/90. Nesse período, inúmeros produtores tornaram-se parceiros da Embrapa, o que possibilitou a ampliação no número de unidades demonstrativas em várias regiões produtoras. Como resultado, houve maior adoção de cultivares criadas pela Embrapa, hoje utilizadas em 60% dos quase 13 milhões de hectares plantados com soja no Brasil.


