O ministro da Agricultura, Marcos Vinícius Pratini de Moraes, disse ontem, em Maringá, que o governo vai lançar uma campanha no segundo semestre, para combater a brucelose e a tuberculose bovinas. As duas doenças podem prejudicar a pretensão do país em ampliar o comércio da carne brasileira no mercado externo. A campanha está sendo estruturada por técnicos do Ministério da Agricultura e Secretarias de Agricultura de vários Estados e prevê a participação da iniciativa privada, com base nos bons resultados dessa experiência nas campanhas contra a febre aftosa.
Sobre os juros na agricultura, o ministro Pratini, disse que a preocupação imediata na agricultura ‘‘não é de baixar as taxas de juros’’. O que o setor precisa, disse, é acabar com a taxa de juros variáveis aplicados aos financiamentos do campo.
A agricultura, segundo o ministro, ‘‘sustentou’’ o Plano Real. ‘‘Agora chegou a vez da agropecuária ter o retorno’’, resume. Pratini de Moraes esteve em Maringá para visitar a 28ª Expoingá, que vai até domingo.
A Sociedade Rural de Maringá (SRM), que promove a feira, pediu ao ministro a criação de uma linha de crédito para a retenção de matrizes e reprodutores no Estado. O pecuarista Waldemar Allegretti, diretor da SRM, explicou que com o Paraná livre da aftosa, a fronteira com o Mato Grosso do Sul será fechada.
O estado vizinho, lembra Allegretti, fornece pelo menos 60% dos animais para engorda ao Paraná. ‘‘Descapitalizado o criador não teve como segurar matrizes e reprodutores, e pode ter problemas para conseguir animais para engorda’’, explica. Ele lembra ainda que existe reíduo industrial para garantir o término de boi gorde com qualidade. ‘‘Ideal para o mercado externo’’.
Pratini de Moraes não respondeu diretamente à entidade, mas adiantou que o ‘‘valor agregado’’ que a carne vai alcançar no mercado externo elimina a necessidade de crédito para o setor.
Mas para ter sucesso junto aos consumidores de outros países, ‘‘mais exigentes’’, o ministro aconselha um trabalho de marketing da carne brasileira. ‘‘Nos supermercados daqui encontramos produtos de vários países que conhecemos de propagandas. Lá fora a concorrência é maior ainda’’, compara. Ele acha ainda que o produtor brasileiro tem que pensar em ‘‘qualidade e não quantidade’’. ‘‘Não queremos vender um milhão de sacas de café a preço de mercado, mas sim um volume melhor de café com alta qualidade e preço superior’’, avisa.

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