Pratini ameaça confiscar milho
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terça-feira, 26 de novembro de 2002
Agência Estado 
Rio O ministro da Agricultura e Abastecimento, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, criticou duramente a desvalorização cambial na abertura de reunião da comissão de febre aftosa ontem no Rio de Janeiro. O ministro atacou desde os produtores de milho até a Petrobras, que reajustou os preços dos combustíveis há três semanas. ''Por que a gasolina tem que aumentar quando aumenta a taxa de câmbio, sendo que a maior parte da gasolina é produzida em território nacional? Temos que acabar com a dolarização quando ela decorre de aumentos completamente estapafúrdios.''
Sobre os produtores de milho, entretanto, restou a maior parte da saraivada de críticas feitas pelo ministro quase que em tom de campanha eleitoral . ''Eu não sou o encarregado pelos preços e nem autorizado a mexer na taxa cambial, mas, como ministro da Agricultura, sinto e lamento o efeito perverso da taxa cambial, que está afetando diretamente o povo brasileiro.''
Mesmo depois de anunciar a realização de leilões para a aquisição de milho no mercado, na tentativa de abastecer a região Nordeste que está enfrentando falta do produto, o ministro não descartou em entrevista a possibilidade de confisco de estoques privados de milho, caso a especulação no setor continue agindo. ''Houve muita especulação com o milho e a decisão do Ministério foi promover a aquisição para atender prioritariamente as necessidades de abastecimento do Nordeste. Não descarto nenhuma opção para conter a especulação. Optamos por enquanto por uma saída na qual o problema é mais agudo. Se os produtores não soltarem o milho, podemos buscar outras soluções, entre elas o confisco'', disse, alegando que alguns produtores poderiam estar retendo o milho para obter melhores preços com o que chamou de ''dolarização da economia brasileira''.


