O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem que espera receber na próxima semana uma resposta da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) para a consulta que fez sobre a importação de produtos transgênicos. ‘‘Só tomaremos uma atitude, além das ações determinadas pela Justiça, após recebermos a resposta da CTNBio’’, informou. O governo teme que a polêmica possa prejudicar o abastecimento da indústria de carnes de aves e suínos. Se a resposta for positiva, os preços internos do milho vão explodir. O Brasil não tem onde buscar milho pois os países desenvolvidos estão utilizando sementes geneticamente modificadas para reduzirem custo de produção dispensando uso de agrotóxicos.
A polêmica sobre os transgênicos voltou nas últimas semanas com o embargo judicial de cargas compradas da Argentina, pois há suspeitas de que existam grãos geneticamente modificados nos produtos. No Ministério da Agricultura os técnicos estão convencidos de que os grãos oleaginosos do mercado internacional são produtos da biotecnologia pois esta é a evolução técnica. Em outros países esses derivados estão sendo consumidos há mais tempo.
Abastecimento O ministro da Agricultura afirmou que
não há problemas de abastecimento de milho nesse momento, ‘‘mas determinadas indústrias não têm suprimento para a entressafra’’. Pratini disse que ‘‘há muita preocupação com relação ao Nordeste’’, embora ainda não haja um levantamento conclusivo sobre o problema.O ministro observou que não há outras alternativas de importação de milho, além de Argentina e Estados Unidos. Os dois países, contudo, plantam milho transgênico, não admitido em escala comercial no Brasil. ‘‘Se efetivamente houver falta, uma parte da indústria terá que fechar’’, disse, ressaltando que esta possibilidade é remota por enquanto, pois o ministério adotando alternativas para complementar a ração de frangos, com o uso de sorgo e milheto. O milho tem sido importado por avícolas para compensar a falta de oferta nacional.
Na sexta-feira, o juiz Cândido Alfredo Leal Junior da 5ª Vara Federal de Porto Alegre (RS), determinou o bloqueio de 20 mil toneladas de milho compradas da Argentina pelas indústrias Avipal e Languiru. A retenção havia sido solicitada pelo Ministério Público Federal.

mockup