Se não for com a ajuda da caderneta, o pequeno comércio não sobrevive. Prova disso, são os vários lugares que ainda trabalham com o sistema de venda fiada por toda a cidade. A prática não se limita a estabelecimentos instalados apenas em bairros, mas também pelo centro de Londrina.
Na panificadora Nathália, por exemplo, na Rua Goiás, há oito anos, a proprietária Patrícia Numada atende os chamados ''clientes especiais''. São 75 clientes ao todo, que quitam as contas quinzenalmente ou mensalmente, como é o caso da maioria.
Entre os clientes estão empresas, sindicatos, papelarias que fazem grandes pedidos. Mas existem também os trabalhadores de estabelecimentos próximos à panificadora, além dos moradores vizinhos. ''Temos clientes de cinco ou seis anos, que compram produtos e marcam para pagar depois''.
A proprietária afirma que a maioria dos clientes é fiel, mas que trabalhar desta forma é sempre ''um tiro no escuro''. ''Os prejuízos também acontecem, porque algumas pessoas que querem começar a marcar, muitas vezes, pagam nos primeiros meses e depois deixam de pagar. É um risco que a gente corre''.
Para a comerciante, que já utilizou o sistema informatizado, mas desistiu do processo por ter dificuldades com manutenção, é impossível o pequeno comércio acabar com a venda fiada, anotada em cadernetas. ''Não tem como trabalhar só com venda a vista. Muitas vezes a pessoa não tem o dinheiro e a gente acaba marcando''.
A esteticista Cidiomar Alves Marques, mora e trabalha próximo à panificadora e há um ano marca as contas na caderneta. Pães, doces, lanches, almoço, tudo é pago no final do mês. A conta chega a R$ 150 e quando precisa atrasar, a esteticista ganha um prazo de até cinco dias. ''Acho muito prático e fazemos isso porque confiamos uma na outra''.(M.O)

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