As exportações paranaenses fecharam janeiro em US$ 968,2 milhões, o menor patamar desde fevereiro de 2011. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o total é 14,2% menor do que o US$ 1,1 bilhão de receita com o comércio exterior no Estado. Dentre os produtos que tiveram maiores quedas estão o farelo de soja, depois da quebra de safra em 2012, e os automóveis, pela redução das vendas para a Argentina.
Os números, disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), apontam ainda que as importações no Estado também sofreram queda de 17,8%, ao passar de US$ 1,7 bilhão em janeiro de 2012 para US$ 1,4 bilhão no mês passado. Com isso, o saldo da balança comercial paranaense começou o ano negativo em US$ 492,1 milhões.
No levantamento feito por produto pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), a diferença mais significativa é no item farelo de soja, que caiu 51,3%. No primeiro mês de 2012 foram exportados US$ 110,8 milhões e em janeiro passado, US$ 53,9 milhões. "Podemos atribuir a queda nas exportações às commodities, principalmente farelo de soja e carne de frango, mas temos de levar em consideração a quebra de safra de grãos", diz o diretor de pesquisa do Ipardes, Julio Suzuki.
No caso das aves, houve queda porque o milho, que serve como ração, ganhou o mercado internacional pela quebra de safra nos Estados Unidos e prejudicou o setor no Brasil. A retração nos negócios no setor foi de 12%, ao passar de US$ 146,9 milhões em janeiro de 2012 para US$ 129,3 milhões no mesmo período deste ano.
Ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e técnico do órgão no Paraná, Eugenio Stefanelo conta que a quebra de safra elevou o preço do grão de soja no mercado internacional, o que reduziu a oferta para processamento de farelo e de óleo, que têm maior valor agregado. "A balança mostra ainda o reflexo do ano passado e temos de lembrar que o ano agrícola termina em 30 de janeiro", diz. Tanto ele quanto Suzuki preveem o aumento das exportações da commodity já em fevereiro, com a colheita de grãos plantados em outubro e previsão de safra recorde.
Para este ano, Stefanelo acredita que haverá maior disponibilidade de soja para processamento. Ele calcula que a exportação será de até 32 milhões de toneladas, com safra prevista para 82 milhões de toneladas. Ainda, diz que o preço da commodity in natura tem caído no mercado internacional. "Vamos ter soja disponível para farelo e óleo, o que permitirá maior exportação dos produtos."

Veículos
Em relação à queda nas exportações de automóveis, o economista Roberto Zurcher, da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), afirma que se deve à redução nas vendas para a Argentina. "É o nosso principal destino de veículos e a crise por lá deve ser o motivo", diz. De US$ 60,6 milhões em janeiro de 2012, o valor passou a US$ 31,3 milhões, ou 48,3% a menos.
Zurcher observa que a importação de automóveis também teve queda de 61,4%, motivada pelo fato de o mercado já não crescer tanto quanto no ano passado e pela desvalorização do real frente o dólar. O valor caiu de US$ 136,7 milhões em janeiro de 2012 para US$ 52,8 milhões no mês passado, mesmo com as boas vendas registradas pelo setor no início deste ano. "É preciso lembrar que tudo que foi vendido em janeiro foi produzido ou importado no ano passado."

Imagem ilustrativa da imagem PR volta a exportar menos de US$ 1 bilhão
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