PR vive novo boom com café adensado
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de maio de 1997
Guto Rocha 
Mais de 200 municípios do Paraná já estão vivendo a euforia da revitalização econômica promovida por uma verdadeira revolução tecnológica: o café adensado. Depois de amargarem o esvaziamento de suas populações por causa da falta de empregos, provocada principalmente pelo declínio da cafeicultura tradicional, estes municípios começam a retomar a atividade, só que agora, baseada em um modelo tecnológico que se sustenta no tripé produtividade, baixos de custos e qualidade.
E a qualidade é um dos fatores determinantes para a sobrevivência do setor. Esta semana, uma empresa francesa, a Tardivat Paris Financiére, esteve em Londrina interessada em fechar negócios com café, mas a exigência é qualidade. Ou seja, tecnologia do adensado pode garantir ao Paraná uma maior participação do mercado mundial de café, que é a segunda commoditie mais importante em volume de negócios, só perdendo para o petróleo.
Por isso, o governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Agricultura (Seab), vem estimulando o plantio de café dentro do sistema adensado. Segundo o secretário de Agricultura, Hermas Brandão, o governo está buscando convênios com prefeituras e proprietários de viveiros para fomentar a retomada da cafeicultura. Quando assumimos o Programa de Revitalização do Café, nos chamaram de loucos, dizendo que o café não teria mais espaço no Paraná. Estamos provando que com excelentes resultados o contrário, comenta.
Brandão diz que em dois anos do Programa de Revitalização da Cafeicultura do Paraná, já foram plantadas 70 mil mudas. O secretário afirma que até agora o Estado investiu R$ 2 milhões só em mudas. Com os novos convênios, a Secretaria espera implantar 130 milhões mudas em dois anos. Essas novas lavouras devem gerar no prazo de dois anos, 100 mil novos empregos diretos e o Paraná em breve ocupará o segundo lugar na produção de café no País, diz Brandão.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, o Paraná tem hoje 134 mil hectares ocupados pelo café, dos quais, cerca de 13 mil no sistema adensado. Deste total, três mil hectares já estão em franca produção, respondendo por cerca de 400 mil sacas, de uma produção estimada em 1,75 milhões de sacas de café beneficiado para 1997.
Além destes convênios, o governo do Estado pretende estimular a formação de associações entre produtores para criação de estrutura de beneficiamento que garanta a qualidade do produto colhido. O secretário de Planejamento, Rafael Greca, disse esta semana que o governo também pretende captar recursos para financiar a compra de equipamentos, como descascador de cerejas para as associações de produtores. O secretário de Agricultura observa que em muitas regiões do Estado já existem estruturas de beneficiamento que podem ser reaproveitadas.
Equilíbrio Durante a década de 60, o Brasil teve uma super-produção e para não derrubar os preços, chegou-se a queimar café. Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento Nacional do Café (Denac), Francisco Barbosa Lima, isso dificilmente voltará a acontecer. Ele explica que os estoques mundiais nas mãos dos países consumidores são pequenos, e a produção, mesmo que crescente, não acompanha a evolução do consumo. Existe um equilíbrio entre a produção mundial e o consumo, e esta situação deve permanecer pelo menos até o ano 2000, prevê. Segundo ele, os estoques mundiais hoje são mais baixos que os de 1977, duas safras depois da grande geada de 1975.
Barbosa, que também é produtor de café e um dos pioneiros na adoção do sistema adensado, utilizando a técnica há quase 13 anos, diz que para sobreviver na atividade, o produtor deve ser eficiente e seguir rigorosamente as técnicas recomendadas pela pesquisa.
Para os produtores que estão entrando na atividade agora, ele aconselha ser perseverante, uma vez que o café é uma cultura perene. Hoje as condições de preços são boas, mas o mercado pode cair de novo. O produtor tem de pensar no custo competitivo e na qualidade, pois com esses dois fatores bem administrados ele pode sobreviver a uma crise, ensina.
Barbosa observa ainda que o produtor, principalmente os pequenos, devem optar por adensamento com maior espaço entre linhas e mais concentração de plantas na renque. Dependendo do arranjo, o produtor pode obter uma densidade maior, e mais facilidade no manejo, comenta.


