PR vai adotar vazio sanitário para a soja
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quinta-feira, 10 de agosto de 2006
Da Redação 
O Paraná deve ser o próximo estado a adotar o vazio sanitário para a ferrugem da soja. O assunto foi tema de uma reunião realizada na última quarta-feira, em Londrina, entre representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Seab, Emater, Iapar e Embrapa Soja, que discutiram a formatação do Programa Nacional de Combate à Ferrugem e a implantação do vazio sanitário durante o inverno no Paraná.
O vazio sanitário é uma aposta dos pesquisadores para reduzir a pressão do fungo causador da ferrugem asiática. O princípio para sua aplicação é que reduzindo o número de plantas hospedeiras na entressafra, anula-se o efeito ''ponte-verde'', que faz com que o fungo continue se multiplicando no inverno e, assim, aparecendo cada vez mais cedo ou com maior intensidade nas lavouras de verão. Os estados de Mato Grosso e Goiás, onde o problema é mais sério, já implantaram suas legislações estaduais.
Além de analisar o Programa Nacional de Combate à Ferrugem, durante a reunião foram discutidos os aspectos técnicos para a elaboração da legislação estadual. ''A reunião também foi importante para lançar a base do comitê estadual de combate à ferrugem'', aponta José Roberto Viccino, fiscal federal ligado à Superintendência Federal do Mapa no Paraná.
''No Paraná, o cultivo da soja em pivôs durante a entressafra ainda não é uma prática comum, mas essas áreas apresentam a umidade necessária para o fungo continuar se multiplicando, por isso, será necessário proibir em todo o Brasil, o cultivo da soja na entressafra, inclusive em áreas experimentais e de produção de sementes genéticas'', destaca o pesquisador Ademir Henning, da Embrapa Soja.
A proposta é que o Paraná seja dividido em duas regiões: no Centro-Sul o vazio sanitário deverá ser de 30 de junho a 30 de setembro e nas regiões Norte/Oeste de 15 de junho a 15 de setembro. As unidades de alerta - plantadas com o objetivo de identificar antecipadamente a presença do fungo - também deverão obedecer o período determinado para o vazio sanitário. ''Estamos no início das discussões, mas a legislação estadual deve começar a vigorar a partir de 2007'', adianta Adriana Peres, agrônoma do departamento de fiscalização da Seab.
A legislação também deverá prever a obrigatoriedade da destruição das plantas guaxas, aquelas que rebrotam após à colheita ou na beira das estradas. ''A obrigatoriedade da dessecação da soja guaxa abre uma oportunidade para a ampliação do programa de redução de perdas na colheita de soja, no qual o Paraná é considerado hoje um estado modelo, principalmente pelo trabalho que a Emater vem fazendo'', destaca Henning.
Esse programa, desenvolvido pela Embrapa Soja, orienta os produtores na regulagem das máquinas e na condução da operação da colheita. ''Com o monitoramento, é possível perder menos de um saco por hectare, enquanto que sem esse acompanhamento, a perda média é de 2 sacos por hectare. Seguindo as orientações, o agricultor reduz o prejuízo econômico e ainda evita a proliferação da ferrugem pelas plantas guaxas'', explica o pesquisador Nilton Pereira, da Embrapa Soja.


