PR treina vacinadores contra aftosa
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de outubro de 2000
Mônica Kaseker De Curitiba 
Pela primeira vez, vacinadores cadastrados e treinados serão os responsáveis pela campanha contra a febre aftosa no Paraná. Na segunda etapa de vacinação deste ano, que acontece de 1º a 20 de novembro, a Defesa Sanitária Animal da Secretaria de Agricultura passa a ter um controle mais rigoroso sobre a vacinação, que até então era feita apenas pelos próprios pecuaristas. A idéia é evitar falhas e garantir 100% de imunização. O Paraná teme passar pela mesma situação do Rio Grande do Sul que, no mês passado, voltou a registrar focos da doença depois de já ter conquistado a declaração de área livre de febre aftosa com vacinação.
A proposta de instituir a figura do vacinador faz parte de uma estratégia do Estado para tornar a vacinação ainda mais eficiente, principalmente nas propriedades que são refratárias à vacinação. A meta é manter o status sanitário de área livre de febre aftosa conquistado pelo Paraná em maio último, junto à Organização Internacional de Epizootíase (OIE), em Paris.
Já conquistamos o reconhecimento internacional como território livre de febre aftosa com vacinação. Agora, precisamos manter esta condição, o que também é difícil, diz o secretário da Agricultura Antonio Poloni.
A nova metodologia de trabalho será discutida amanhã, no fórum Paraná Sem Aftosa, no Centro Integrado de Empresários e trabalhadores da Indústria (Cietep). O fórum, promovido pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento e Federação da Agricultura do Paraná, será aberto pelo governador Jaime Lerner, às 9 horas. O secretário nacional de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, falará sobre a situação da febre aftosa no Brasil.
O fórum vai reunir todos os conselhos de Sanidade Agropecuária (CSAs), com 800 participantes. Os conselhos vão indicar os vacinadores e acompanhar o trabalho nos municípios. Os vacinadores serão cadastrados e treinados pelo serviço oficial de Defesa Sanitária da Secretaria da Agricultura.
O médico veterinário Felisberto Baptista, chefe da Defesa Sanitária Animal da Secretaria da Agricultura, explica que a metodologia atual tem algumas falhas como a falta de segurança em relação à real aplicação da vacina; erros na contagem do rebanho vacinado e na declaração de dados cadastrais ou dificuldades em adquirir e aplicar a vacina. Ele ressalta que os pecuaristas devem continuar vacinando seus rebanhos, mas com a opção de contratar o vacinador.
O vacinador terá papel preponderante na imunização de rebanhos que estão em propriedades de pecuaristas resistentes à vacinação, por estarem muito distantes, por falta de recursos e informação ou por possuírem rebanhos muito pequenos. Segundo Baptista, há casos em que o produtor tem apenas uma vaca leiteira e acha que não precisa vacinar.


