PR testa soja contra transgenia nas divisas
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quarta-feira, 22 de outubro de 2003
Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba O governo estadual começa a fazer hoje, gratuitamente, teste de transgenia nas cargas dos caminhões barrados nas fronteiras do Paraná. Por causa da exigência de certificação, cerca de mil veículos não puderam entrar no Estado desde sexta-feira, provocando indignação e causando prejuízos. Equipes da Secretaria de Estado Agricultura e do Abastecimento e da Companhia Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar) vão atuar em seis locais onde estão concentrados o maior número de caminhões.
O resultado fica pronto na hora. A expectativa da secretaria é que em dois dias todos os caminhões parados sejam fiscalizados. Os motoristas reclamavam que o governo não havia divulgado a decisão de exigir certificação. O teste em laboratório leva em torno de cinco dias para ficar pronto. A secretaria adquiriu 2 mil kits de ''trade testing'', que custaram cerca de US$ 7 mil. ''Vamos fazer isso numa demonstração de respeito e solidariedade aos problemas vividos pelos caminhoneiros'', afirmou o secretário de Agricultura, Orlando Pessuti.
Se o teste comprovar que a soja carregada não é transgênica, o caminhão está livre para entrar no Paraná. Pessuti garantiu que o governo não está ''fechando'' as barreiras e que a intenção é 'endurecer' a fiscalização. Há 29 postos de fiscalização no Estado. ''Se houver carga com produto transgênico com destino aos portos de Santa Catarina, por exemplo, poderá passar pelo Paraná'', relatou. Ele disse que a secretaria está estudando uma forma de lacrar carga transgênica nos postos de entrada de forma que ela seja aberta apenas no local de destino.
Cerca de 100 engenheiros agrônomos da secretaria trabalham nas barreiras. Pelo menos outras 50 pessoas devem atuar na operação de fiscalização. Os postos de fiscalização que receberão o teste-relâmpago são Passo dos Leite, Marques dos Reis, Melo Peixoto, Charles Naufal, Jorge Radzminski, Diamante do norte, Porto Camargo e Guaíra. Pessuti disse que não devem mais ocorrer filas nas barreiras, já que a exigência de certificação no Paraná se tornou pública. ''Não fomos nós que fizemos a confusão. A lei que regulamenta os transgênicos estabelece que deve constar informação sobre presença de organismos geneticamente modificados'', acrescentou.
De acordo com informações do posto de fiscalização do Ministério da Agricultura em Foz do Iguaçu, não há nenhuma orientação para barrar os caminhões, permitindo a entrada de carga de soja sem certificado. Pessuti disse que está conversando com o ministério. ''Isso não impede que nossos postos volantes façam a fiscalização dessas cargas'', observou.


