PR tem "bomba-relógio" dentro de aviários
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terça-feira, 29 de maio de 2018
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
A falta de expectativa para o fim da greve dos caminhoneiros está gerando uma bomba-relógio nas granjas paranaenses, principalmente para quem trabalha com aves e suínos. A impossibilidade de abater esses animais nos frigoríficos pode gerar um problema sanitário enorme no Estado, resultando impactos ambientais, comerciais e, principalmente, na exportação desses produtos. Nesta terça-feira (29), por exemplo, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adapar) participava de uma força-tarefa para liberar 23 caminhões da BRF um total de 1,6 milhão de aves para o abate urgente. A carga estava parada num bloqueio na região de Toledo, mesmo com o acordo divulgado segunda-feira na Casa Civil para esse tipo de situação.
O fiscal de defesa agropecuária da Adapar, o engenheiro agrônomo Adriano Luiz Ceni Riesemberg, relata que hora a hora chegam à agência relatos de produtores que têm animais dentro das propriedades e que não conseguem enviar para o abate adequado. "A situação começou se agravar mais de ontem [segunda-feira] para hoje [terça], porque até então havia um estoque de ração e um trânsito microrregional (dos animais). A situação agora está realmente num ponto crítico", avalia o diretor da entidade.
Uma das grandes dificuldades é que com os animais permanecendo nas propriedades, o produtor terá que fazer o abate, e ficará responsável por isso, inclusive ambientalmente. "Toda a mortalidade acima de 10% num aviário, por exemplo, já exige um registro da defesa agropecuária para determinar a causa, mesmo sabendo neste momento que se trata de falta de comida. Os protocolos de defesa implicam que se faça um laudo para afastar a possibilidade de qualquer doença contagiosa. Temos muitos produtores que não conseguem lidar com essa situação."

FRAGILIDADE
Outro problema é dar uma destinação correta aos animais que morrem. "Não se faz em qualquer lugar, é preciso a liberação do órgão ambiental, gerando toda uma consequência de gastos. Não se pode perder o controle disso, porque demonstra toda uma fragilidade do serviço de defesa do Estado". Essa fragilidade, segundo Riesemberg, "pode ser fatal" para os mercados para onde essa carne é exportada, principalmente em tempos de protecionismo comercial que o mundo vive e os vários bloqueios já enfrentados recentemente pelo Estado.
Por fim, em relação ao trânsito interestadual de animais, vegetais e outros produtos, o diretor da Adapar relata que recebeu relatório mostrando que os números caíram drasticamente. "Temos 33 postos de fiscalização nas divisas com outros estados e estamos continuamente fazendo registros de entrada de cargas de interesse da defesa. A média no início de maio era de 1,8 mil cargas (para período de cinco dias) em todos os pontos. Agora, caiu para 186, uma diminuição de 91%", complementou.


