PR tem a segunda maior indústria canavieira
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de abril de 2007
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
O aumento da demanda mundial pelo etanol mudou a paisagem agrícola de muitas regiões do País. A expectativa de um mercado novo, em expansão, fez crescer a área plantada de cana-de-açúcar, aumentou investimentos em pesquisas e levou mais recursos às usinas. O Paraná está inserido neste mercado com a segunda maior agroindústria canavieira do País, que gera cerca de 75 mil empregos diretos. Além disso, a produção estadual de cana-de-açúcar, açúcar e álcool (anidro e hidratado) cresceu a taxas superiores à média nacional nos últimos dez anos.
A produção paranaense de cana cresceu 6,6% entre as safras 1990/91 e 2005/06. Já o processamento do açúcar aumentou 16,7% e a do álcool total 3,1%. A taxa média histórica nacional é de 3,8% para a cana, 8,9% para o açúcar e 1,3% para o álcool. Os dados são de um estudo do professor da Universidade do Oeste do Paraná (Unioeste), Pery Francisco Assis Shikida, doutor em Economia Aplicada e autor de vários livros e estudos sobre o setor sucroalcooleiro. Apesar da expansão, esse crescimento do setor será suficiente apenas para manter o Estado na segunda colocação da produção canavieira.
O Paraná produz 6,9% do total produzido de cana no País (média das safras 90/91 e 2005/06), enquanto São Paulo (o maior produtor nacional) é responsável por 66,2% da produção. ''A agroindústria canavieira paranaense conseguiu superar estados seculares, como Alagoas e Pernambuco. O nosso único problema é a barreira climática'', afirma Shikida. Segundo ele, em uma região que liga Assis Chateubriand (72 km ao norte de Cascavel) a Telêmaco Borba (128 km ao norte de Ponta Grossa) para baixo, o clima não é apropriado ao cultivo de cana em escala industrial. Além disso, o crescimento da cultura também seguirá as regras do mercado, devido a desregulamentação do setor feita pelo governo federal em 90.
''Em algumas áreas do Norte paranaense já temos produtores de soja que arrendaram a propriedade para o plantio de cana, mas há um freio natural neste crescimento, que é o clima, e a tendência de aumento de outras culturas que estão perdendo espaço. Nos últimos anos também foi registrado um ganho no rendimento por conta da melhora do nível tecnológico'', diz o professor. Segundo ele, para que uma lavoura seja viável a produção de cana colhida tem que ser de, pelo menos, 70 toneladas por hectare. ''Já temos usinas no País que conseguem colher 140 toneladas por hectare, ou seja, temos muito para crescer ainda'', observa.
Economia - O Paraná conta hoje com 27 usinas em operação que atingem 126 municípios. O setor gera cerca de 75 mil empregos diretos. ''Não temos problemas com o Ministério Público em função de melhores condições de trabalho, o que nem sempre se verifica em outras regiões do País. Além disso, as indústrias que exportam têm selos de qualidade como o do Amigo da Criança, que é contrário à exploração da mão-de-obra infantil'', diz o professor. Na avaliação dele, o setor já foi problemático, mas a profissionalização das usinas tem ajudado a amenizar a pobreza, principalmente porque absorve mão-de-obra sem capacitação. No Paraná, isso deverá continuar ocorrendo porque o relevo não permite a colheita mecanizada em toda a sua extensão.
Segundo estatimativas do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab), a área plantada de cana cresceu 21% nesta safra. Houve um salto de 432,815 hectares no ano passado para 524,770 hectares em 2007. A projeção é que a produção atinja 40 milhões de toneladas. ''Em 2005 houve uma restrição de 18% na oferta de cana para industrialização devido ao clima'', observa Disonei Zampieri, coordenador do setor sucroalcooleiro da Seab.


