PR tem 900 mil no trabalho informal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de abril de 2001
Rosana Félix De Curitiba 
Para o economista e pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcelo Cortes Neri, o mercado de trabalho informal e a pobreza caminham juntos. Ele apresentou ontem dados de pesquisas feitas pela FGV que mostram que quanto menor a renda domiciliar, maior é a taxa de informalidade. Também foi constatado que essa situação ocorre mais nas regiões menos desenvolvidas do Brasil. É como se o desemprego fosse um mal de luxo, e a informalidade um mal de pobreza. No Paraná há 900 mil pessoas que trabalham por conta própria.
A informalidade é o principal problema do mercado de trabalho do Brasil, afirmou o pesquisador. Ele disse que no Brasil sempre houve uma preocupação muito grande com o desemprego e os trabalhadores informais nunca receberam muita atenção. O segmento informal não é só pobre de renda, mas também pobre de políticas, considerou.
Outro levantamento mostrado por Neri revela que a informalidade representa 58% da pobreza nacional. Esse valor é a soma da taxa de empregos informais com a de pessoas que trabalham por conta própria e com daquelas que não são remuneradas, como os empregadores com até cinco funcionários. Já o desemprego, disse Neri, representa apenas 7% da pobreza no Brasil. Se fossem feitas políticas bem sucedidas em relação à informalidade, teria um efeito muito grande para erradicar a pobreza, apontou.
Neri falou sobre o assunto ontem, durante o Fórum de Trabalho Informal realizado pela Câmara Municipal de Curitiba. O evento serviu como comemoração ao Dia Internacional do Trabalho, no dia 1º de maio.
No Paraná, a taxa de informalidade, assim como nos outros Estados do Sul, é de cerca de 20%, disse Neri. Dados de 1999 da FGV mostram que o número de trabalhadores total é de 4.091.849. Destes, cerca de 400 mil (9,7% do total) não têm carteira assinada e quase 900 mil (21,9%) trabalham por conta própria, número que inclui desde camelôs até profissionais liberais, como dentistas e advogados.
Na análise de Neri, a maior dificuldade para que sejam implantadas medidas contra a informalidade é o desconhecimento. Por isso a importância de haver debates sobre o tema, com o poder público e a sociedade, opinou. Segundo ele, há muitos dados sobre esse problema no Brasil, sobre as quais é possível montar propostas políticas.
Como exemplo de políticas de apoio contra o trabalho informal, Neri lembrou da frente de trabalho organizada pelo governo federal durante a seca de 1998 no Nordeste, para a qual 1 milhão de pessoas foram contratadas. Mesmo com a seca naquele ano a taxa de pobreza não aumentou, observou. Sou otimista sobre o que vai acontecer. O nível de pobreza e informalidade são bem sérios mas há a tendência do problema deixar de ser crônico, acrescentou.


