PR se destaca em número de empresas, mas salário é baixo
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quarta-feira, 05 de julho de 2017
Nelson Bortolin<br>Reportagem Local 

O Paraná era o quarto Estado do País com maior número de empresas em 2015. Eram 454.051, ou 8,1%, das 5,6 milhões de empresas brasileiras. São Paulo (31%), Minas Gerais (10,7%) e Rio Grande do Sul (8,4%) estavam à frente. O Paraná também era o quarto com maior participação de pessoal ocupado, assalariado ou não. Dos 53,5 milhões de brasileiros ocupados, 3,5 milhões, ou 6,7%, eram paranaenses. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e fazem parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre) 2015.
Dos quase R$ 1,6 trilhão recebidos como salários e outras remunerações no Brasil, em 2015, R$ 93 bilhões foram no Paraná, também quarto colocado neste quesito.
O desempenho do Estado piora quando o indicador é o salário médio. Foram R$ 2.326 naquele ano, o que deixa o Paraná em 9º lugar. O Distrito Federal (R$ 4.468), o Amapá (R$ 3.104), Rio de Janeiro (R$ 2.924), São Paulo (R$ 2.833), Roraima (R$ 2.643), Rio Grande do Sul (R$ 2.375), Tocantins (R$ 2.349) e Acre (R$ 2.328) estão mais bem posicionados.
Uma boa notícia é o que o Estado figura num grupo de 14, de um total de 27 unidades da Federação, que tiveram aumento de participação do pessoal ocupado no total da população economicamente ativa. De 2011 a 2015, essa participação saiu de 56,3 para 59,9%. Mesmo após a crise instalada, em 2014, a participação não recuou.
"Quem está na nossa frente são Estados demograficamente maiores. É natural que eles estejam à frente", comemora o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Júlio Suzuki Júnior.
Proporcionalmente ao tamanho da população, o Estado que mais empresas tinha em 2015 era Santa Catarina: uma a cada grupo de 22 pessoas. Depois, vinham o Rio Grande do Sul, com uma empresa a cada 24 pessoas, e o Paraná, com uma a cada 25 pessoas. Em São Paulo, era uma empresa para 26 pessoas e, em Minas, uma para 34.
Suzuki acredita que a presença de centenas de milhares de pequenas empresas no Paraná faz com que o salário médio fique menor. "Em Estados como o Amapá (8,8 mil empresas) ou o Acre (9,5 mil), a média tende a ser maior quando há a presença de algumas grandes empresas", alega.
Segundo o IBGE, em 2015, a maior parte das empresas paranaenses, 29%, eram do varejo. Em segundo lugar, com pouco mais de 6%, estavam as do comércio atacadista. E, em terceiro, com quase 6%, as de "comércio e reparação de veículos automotores e motocicletas". "São justamente essas empresas, como as oficinas, que têm muita presença no Estado e fazem o salário médio ser menor",
avalia.
Poder público
Para o economista, professor universitário e consultor da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Marcos Rambalducci, a explicação para Acre e Amapá apresentarem um salário médio acima do paranaense é a maior participação do Poder Público como empregador naqueles Estados. "É no Poder Público que estão os salários maiores", ressalta.
Na opinião do economista, a única boa notícia do Cempre 2015 é o aumento de participação das mulheres entre o pessoal ocupado assalariado no País. Em 2010, elas eram 42,1% e foram ganhando participação ano a ano. Em 2015, chegaram a 44%. Mas, nesse último ano, ainda havia uma grande diferença de salários. A remuneração das brasileiras equivalia a 81% da dos brasileiros.
Apesar de o número de empresas no Brasil ter aumentado 0,2% de 2014 para 2015, apesar da crise, o total de empregados diminuiu pela primeira vez desde o início da série histórica. A redução foi de 3,1%.


