Os presidentes das companhias energéticas da Região Sul decidiram ontem, em Florianópolis, acelerar os programas de ‘‘racionalização’’ e os investimentos em geração e transmissão como medidas preventivas frente à crise energética do País. Os estudos elaborados pelo Comitê de Operação e Planejamento do Setor Elétrico do Rio Grande do Sul (Copergs), demonstrando que não são necessários cortes de luz nos Estados da região, foram referendados pelas empresas de Santa Catarina e Paraná e serão apresentados amanhã ao Operador Nacional do Sistema (ONS). ‘‘Consolidamos uma opinião técnica e a levaremos à ONS e às autoridades federais’’, disse ontem o presidente da estatal gaúcha, a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Vicente Rauber.
Atualmente os reservatórios das hidrelétricas regionais estão com um nível de armazenamento de 81% e só seriam ameaçados se as chuvas caíssem abaixo de 82% da média pluviométrica histórica no segundo semestre. Todas as previsões, entretanto, apontam para sentido contrário, ou seja, que chova acima da média. ‘‘Temos probabilidade de sucesso de 80% a 90%’’, afirmou o presidente da Copergs e da Rio Grande Energia (RGE), Sidney Simonaggio.
Apesar dessas certezas, as cinco companhias reunidas em Florianópolis – CEEE, RGE, AES Sul, Eletrosul, Celesc (Santa Catarina) e Copel (Paraná) – decidiram aprovar um plano de emergência para aumentar a oferta de energia e reduzir o consumo. Entre as medidas preventivas, está a antecipação para dezembro da entrada em funcionamento das usinas de Machadinho (380 MW) e Canoas (160 MW), no Rio Grande do Sul, e de Araucária (480 MW), no Paraná. O aumento da importação de energia da Argentina e do Uruguai também poderá ocorrer antes do previsto.
A Região Sul gera hoje cerca de 7.300 MW de energia e importa outros 1.100 MW da Argentina, consumindo 6.800 MW e envia 1.600 MW para o Sudeste. Pelas projeções da Copergs, o Sul tem condições hídricas e estoque para ampliar essa transferência para 2.600 MW. Esse é o limite dinâmico suportado pelo transformador da subestação de Ivaiporã (PR), que liga as duas regiões. Além disso, há limitações de trasmissão até a subestação de Tijuco Preto (SP).
Do lado da demanda, os governos estaduais da região estão lançando programas para reduzir em 20% o consumo do setor público e em até 50% a iluminação pública, o que totalizaria 180 MW a menos do que hoje, ou 2,6% de todo o consumo da região. Essa meta será perseguida principalmente pela substituição das lâmpadas das ruas e dos prédios públicos atualmente utilizadas por outras mais eficientes.

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