PR sai na frente na exploração do xisto
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quarta-feira, 22 de abril de 1998
Eliane Eme Sato 
O Paraná poderá ser o primeiro estado brasileiro a aproveitar os rejeitos da exploração do xisto para fabricação de cerâmica. A Incubadora Tecnológica, vinculada à Petrobras, em São Mateus do Sul, divulgou ontem para os empresários do setor cerâmico os resultados de dois anos de pesquisa feita em parceria com o Centro Integrado de Tecnologia do Paraná (Citpar) para uso do xisto. A pesquisa é inédita no Brasil. É um crime não aproveitar o que temos de sobra aqui, diz o superintendente Rubens Eduardo Medeiros Novicki, da Superintendência da Industrialização do Xisto.
Foram desenvolvidas tecnologias para produção de tubos, manilhas, telhas, tijolos de autoqueima, blocos, lajotas, pisos, revestimentos, argamassas, agregado leve, espuma cerâmica, vidros, pastilhas de vitrocerâmica entre outros. A fabricação desses produtos a partir do xisto proporciona economia de 20%, segundo Heinrich Fritz Obermeier, especialista alemão contratado pela Petrobras para o desenvolvimento das pesquisas.
A economia ocorre, explica ele, principalmente devido à alta concentração de energia da pedra de xisto. O tijolo de autoqueima, por exemplo, afirma ele, necessita 83% menos energia para produção do que a argila comum. O xisto, por ser menos poroso, proporciona ainda produtos de maior qualidade e mais bonitos, diz Obermeier. As telhas, por exemplo, podem sem feitas com glasura, aumentando a impermeabilização e as opções de cores.
A reserva de xisto de São Mateus do Sul pode ser explorada por um período de 600 anos, segundo o superintendente Novicki. Temos matéria-prima para suprir toda a demanda, diz. Hoje, a produção diária da Petrobras, através da exploração do xisto é de 4 mil barris de combustíveis, 165 toneladas de gás combustível e liquefeito (GLP) e 75 toneladas de enxofre. A empresa quer vender às empresas de cerâmica o equivalente a 50 mil toneladas por ano de rejeitos, ou seja, as sobras do processo de produção e ainda outros minerais que são retirados durante a escavação do xisto, como a argila. Esses recursos poderiam ser reaproveitados por 700 olarias do Paraná.
Pelo projeto da Petrobras, a Incubadora Tecnológica propõe repassar às empresas a tecnologia para a produção de cerâmica usando o xisto. A vantagem ainda é que a materia-prima já está minerada, diz Novicki. Atualmente nenhuma indústria de cerâmica explora o minério. Mas a Incepa, em São Mateus do Sul, estuda a possibilidade de aproveitar o xisto. Ainda estamos na fase de testes, diz Klaus Neumann, gerente de Cerâmica da Incepa. Outro projeto da Petrobras e Codapar prevê o aproveitamento de 8 mil toneladas por dia de rejeitos para o fabrico de calcário para uso agrícola.
Na Alemanha, 60% de toda a cerâmica é fabricada com xisto, matéria-prima abundante no sul do país, segundo o especialista Heinrich Fritz Obermeier. Isso torna a Alemanha um dos países com maior tecnologia na área.


