PR registra aumento na produção de soja 2ª safra
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sexta-feira, 30 de maio de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
Mesmo contrariando as recomendações agronômicas, muitos produtores paranaenses continuam plantando soja depois da safra de verão. Somente no ciclo 2013/14 houve um aumento na área plantada com a oleaginosa na segunda safra em 34% se comparado ao mesmo período do ano passado. Ao todo, foram semeados 108 mil hectares neste segundo ciclo, com uma estimativa de produção de 196,5 mil toneladas, 51% a mais em relação ao mesmo período de 2013.
Até o momento, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), 37% da área já foi colhida, lembrando que o produtor tem até o dia 15 de junho para finalizar a colheita, período em que se inicia o vazio sanitário da soja. A partir desta data, fica proibido o cultivo da oleaginosa.
A produção no atual ciclo poderia ter sido maior, já que a estimativa inicial de produção para esta segunda safra era de 205 mil toneladas, mas foi frustrada devido à alta incidência de ferrugem ocorrida nas lavouras paranaenses. Marcelo Garrido, economista do Deral, atribui o aumento da área plantada de soja segunda safra aos preços elevados da commodity, que incentivaram o produtor. O valor médio pago pela saca de 60 quilos ao agricultor em maio, por exemplo, está em
R$ 61,50, contra R$ 52,42 em relação ao mesmo mês do ano passado.
O aumento da demanda da China e a redução na produção da oleaginosa na última safra verão foram os motivadores desse aquecimento nos preços da soja. Garrido afirma que o mercado absorverá facilmente essa produção extra devido à última redução de safra. "Mesmo assim, essa é uma safra em que o produtor já sabe que irá receber menos porque a produtividade é baixa", salienta.
Riscos agronômicos
Plantar a mesma cultura em duas safras seguidas pode trazer sérias consequências para o agricultor. Nelson Harger, engenheiro agrônomo e coordenador estadual do Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), afirma que a pesquisa não recomenda esse tipo de ação.
Além de uma produtividade reduzida, já que as variedades de soja disponíveis no mercado não se adaptam ao clima mais frio, o risco de disseminação da ferrugem da soja aumenta significativamente. "O plantio de uma cultura sobre a outra também empobrece o sistema de plantio direto, já que a soja produz pouca palha", alerta. Harger completa que a palhada é essencial para reter matéria orgânica no solo.
Harger afirma que o plantio da soja segunda safra está concentrado principalmente nas regiões onde o milho de inverno não se adapta muito bem, como no Oeste e no Sudoeste paranaense. O especialista salienta que o trigo poderia muito bem ter substituído a soja nessas localidades.
Outra preocupação é a possibilidade da criação de pragas ou doenças que podem ganhar resistência. "Além disso, há um aumento no número de aplicações de defensivos, o que eleva os custos de produção", lamenta o agrônomo. Quem também sai perdendo é o meio ambiente, devido ao excesso de produtos químicos.



