PR reduz área de feijão nesta primeira safra
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sexta-feira, 10 de outubro de 2014
Ricardo Maia<br>Reportagem Local 
A primeira safra de feijão da temporada 2014/15 já começou no Paraná com dados nada animadores. O primeiro ciclo do grão será um dos menores já registrados no Estado para este período. Ao todo, o feijão ocupará 206,37 mil hectares, uma redução de 13% em relação ao mesmo período do ano passado. Carlos Alberto Salvador, engenheiro agrônomo do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), afirma que o grão perdeu área para o cultivo da soja.
Salvador explica que os preços atrativos da oleaginosa e a queda no valor do feijão pago ao produtor favoreceu essa migração. A área de soja deve aumentar em 31 mil hectares se comparado ao ciclo 2013/14. Com a queda na área plantada de feijão, o Estado estima uma redução de 5% na produção, calculada para esta primeira safra em 384,15 mil toneladas. Até o momento, segundo informações do Deral, 58% da área já foi semeada.
Apesar da queda em área neste primeiro ciclo, Salvador destaca que o produtor paranaense tem aumentado a área plantada no segundo período de produção. Na segunda safra de feijão - ciclo 2013/14 - houve um aumento de área em 3% sobre o ciclo 2012/13, quando foram produzidos 264,16 mil toneladas do grão. Salvador conta que esse alta foi uma questão estratégica adotada pelos produtores do Estado.
Eduardo Medeiros Gomes, produtor da leguminosa na região de Castro (Campos Gerais), tem sentido no bolso os baixos preços do grão. Desanimado com a cultura, ele deu prioridade para a soja neste primeiro momento, prorrogando o início do plantio da safra de feijão para novembro. Neste ciclo, Gomes deve plantar 150 hectares de feijão, 50% a menos em relação à temporada anterior. Ele explica que essa redução se deve a questões agronômicas e não apenas comerciais. "Diminui a área para fazer rotação de cultura", explica Gomes.
Preços
Outro fator que desestimulou o plantio de feijão nesta primeira safra é que o setor vive um longo período de baixos preços. Segundo Salvador, a alta oferta do produto tem derrubado os valores do grão. Em setembro, por exemplo, a média de preço do feijão cor fechou em R$ 50,23 a saca, 58% inferior em comparação com o mesmo período do ano passado, quando era comercializada a R$ 126,27.
O valor pago ao produtor no mês passado ficou abaixo do custo variável de produção, que foi de R$ 58,04 a saca. No caso do feijão preto, a situação segue um pouco mais confortável. O motivo se deve à oferta mais baixa do produto no mercado. O valor da saca em setembro fechou em R$ 92,33, valor 33% menor em relação ao mesmo período de 2013.
Por conta da entressafra, o agrônomo do Deral estima que até o final deste ano, o valor da saca recebido pelo produtor registre um ligeiro aumento. "Daqui a um mês o preço poderá ter uma leve aquecida", completa Salvador.
Para o consumidor, a situação segue bem mais favorável. No mês passado, o valor do quilo do feijão cor fechou em R$ 2,99, contra R$ 3,08 em agosto e R$ 4,85 contabilizado em setembro de 2013. Na mesma situação de queda de preço no varejo está o feijão preto que fechou no mês passado em R$ 3,33/kg, ante R$ 3,48/kg em agosto e R$ 4,14/kg registrado em setembro de 2013.



