PR recupera status de área livre de febre aftosa
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segunda-feira, 26 de maio de 2008
Ricardo Sabbag<br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - Dois anos e sete meses depois da fatídica notificação de casos confirmados de febre aftosa no Paraná, o estado finalmente reconquistou o status de zona livre da enfermidade com vacinação. A secretaria de estado da Agricultura e Abastecimento anunciou ontem o reconhecimento pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) do Paraná (bem como também os estados da Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Sergipe, Tocantins, Goiás, Mato Grosso, São Paulo e o Distrito Federal) como área livre de febre aftosa, com vacinação.
O anúncio foi feito pelo secretário da Agricultura, Valter Bianchini, acompanhado de representantes de entidades da cadeia produtiva da pecuária de corte como a Federação da Agricultura do Paraná (Faep), a Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaep), a Organização das Cooperativas do Estado (Ocepar) e o Sindicato dos Produtores de Carne e Derivados (Sindicarne). O anúncio em conjunto selou o compromisso dos envolvidos - governo e setor privado - com uma vigilância mais apurada daqui em diante. ''Temos que ficar mais alertas a partir dos produtores. A questão da sanidade é um exemplo de parceria público-privada, em que todos fazem juntos. Não podemos afrouxar nunca. A defesa quem faz é o produtor. O estado audita'', disse o diretor-executivo do Fundo de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná e representante da Faep Ronei Volpi.
Em 2005, o surto de febre aftosa que culminou com a perda do status de área livre pelo estado colocou em choque governo e entidades produtoras. ''Agora temos um envolvimento mais articulado com o setor privado'', afirmou o secretário Bianchini, citando a integração entre os envolvidos como uma das principais armas para se evitar o que aconteceu em 2005. ''Foi um aprendizado doído. Agora vamos trabalhar para manter a zero o risco'', disse. ''Manter o status é mais importante do que a conquista. Hoje inauguramos a tarefa de manter essa conquista'', avaliou Volpi.
A perda do status de área livre provocou uma redução total no volume de exportações de carne bovina de 60 mil toneladas em 2006 e 2007. Os prejuízos são estimados em cerca de US$ 300 milhões neste período. A expectativa, agora, é que o estado alcance a média recorde de exportação de 40 mil toneladas de carne bovina (registrada em 2004 e 2005) em até três meses e que supere esse índice até o fim do ano. ''É um prazo viável'', disse o gerente técnico-econômico da Ocepar, Flávio Turra, lembrando que a medida também beneficia os produtores de suínos. ''A pecuária de corte vive um bom momento nacional e internacional. As exportações no Brasil foram triplicadas nos últimos sete anos. Podemos almejar algo muito maior'', afirmou Bianchini.
Segundo o presidente do Sindicarne, Péricles Salazar, as indústrias estão trabalhando hoje com capacidade ociosa. ''Ampliando a capacidade instalada vamos exportar mais'', disse. Salazar, no entanto, indicou que é preciso ir devagar com o andor no caso das exportações para a União Européia, mercado estratégico para a indústria agropecuária: ''A exportação para a União Européia não vai ser já. Estamos habilitando fazendas para exportação, mas isso vai demorar''.


