PR quer trocar área de fumo por oleaginosa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de maio de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Estado quer trocar as plantações de tabaco no Paraná por culturas de oleaginosas que possam ser convertidas em biodiesel. A proposta do governador em exercício, Orlando Pessuti (PMDB), é dar incentivos para que os produtores rurais vejam as vantagens da ''reconversão'' das lavouras. ''Estamos trabalhando no Programa Paraná Biodiesel com os pés no chão, com tranquilidade, fazendo todas as pesquisas possíveis para que possamos apresentar para o produtor rural alternativas viáveis para a produção em pequena ou em larga escala'', disse o governador.
O assunto biodiesel foi o tema de ontem da reunião semanal do secretariado. O secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, informou que estão sendo feitos estudos com vários tipos de oleaginosas que podem ser responsáveis pela produção de óleo vegetal - que misturado com o álcool é transformado em biodiesel. Uma usina-piloto já foi montada para iniciar o trabalho com matérias primas diferentes com capacidade de produção de 100 litros por hora. Em algumas propriedades rurais estão sendo montadas pequenas usinas com capacidade de produção de biodiesel para combustível de tratores de uso no campo.
A intenção do governo do Estado é reduzir os custos dos pequenos produtores, incentivando a produção de oleaginosas para aproveitamento do óleo vegetal para se produzir biocombustível e da massa para a produção de ração e adubos. ''Temos como finalidade principal fazer com que a agricultura familiar se aproprie dessa tecnologia para gerar emprego e renda no campo'', disse Arnaldo Colozzi Filho, diretor-técnico do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar).
Atualmente, os grãos mais usados para a produção de óleo vegetal são soja e algodão. Mas o Paraná quer inverter essa relação, investindo em culturas alternativas como as culturas de primavera-verão (girassol, amendoim, mamona, cártamo), de inverno (nabo forrageiro, linhaça, canola, crambe) e perenes (pinhão manso, tungue, macaúba -palmeiras nativas).
Outras alternativas seriam as culturas de gergelim, linho e tungue. ''É como um jogo de xadrez. Temos que verificar as épocas de cada cultura e plantar o ano inteiro. Assim, o produtor terá sempre as culturas capazes de garantir o óleo vegetal durante o ano inteiro'', apostou.


