Curitiba O Paraná precisa retirar 4 milhões de toneladas de milho do mercado para evitar a queda livre na cotação do grão. O preço do produto já caiu 37% desde fevereiro, quando iniciou a colheita da primeira safra, e de 8% só no mês de julho. Os preços do milho estão desabando porque o Brasil está atualmente com um excedente de 8 milhões de toneladas. Só o Paraná está colhendo 5 milhões de toneladas, cerca de 500 mil toneladas acima das previsões.
As principais entidades que representam a agricultura no Estado como Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Organização das Cooperativas do Paraná e Federação da Agricultura do Paraná enviaram um documento ao Ministério da Agricultura solicitando a adoção de medidas urgentes para ''enxugar'' o mercado de milho, para que o mercado possa reagir.
Entre as medidas, está a renovação do contrato de opção de venda para 1,5 milhão de toneladas de milho. O governo já lançou um contrato com esse volume, mas é necessário renová-lo para enxugar o produto para provocar impacto no mercado, disse a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento Vera da Rocha Zardo.
O documento pede ainda a agilização urgente da compra de milho nas regiões mais pobres pelo programa da Agricultura Familiar. Segundo a técnica do Deral, nos municípios mais isolados da região central, uma das mais pobres do Estado, o preço do milho caiu até R$ 9,50 a saca para o produtor.
Nesses municípios os produtores não têm o apoio de cooperativas ou de canal de comercialização mais forte e assim eles ficam nas mãos dos cerealistas, que sabem que o pequeno produtor que não tem condição de armazenar e segurar o seu produto e por isso forçam o preço para baixo.
Outra medida que está sendo reivindicada é a transferência do milho da região sudeste, onde a safra foi abundante para o nordeste do País, região que tradicionalmente importa o milho para o abastecimento. As entidades estão solicitando liberação de recursos do governo federal através do Programa de Escoamento da Produção (PEP) para subsidiar o preço do frete que é muito caro, disse o assessor econômico da Ocepar Robson Mafioletti. A expectativa é que possa ser transferido um milhão de toneladas.

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