PR quer recursos para abrir valas na Cachoeira
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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
Não é só o imbróglio judicial que atrasa e atrapalha o sacrifício sanitário dos 1.795 bovinos da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). Agora, o governo do Estado quer a ajuda das 11 entidades privadas que compõem o Fundo de Desenvolvimento Agropecuário (Fundepec) para executar a abertura das valas e o sacrifício do rebanho na propriedade. O custo estimado para realizar a tarefa é R$ 286 mil. Até ontem, a única entidade disposta a colaborar com o governo do Estado é o Sindicato da Indústria da Carne e Derivados do Paraná (Sindicarne).
O governo do Estado distribuiu na semana passada um memorando da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) no qual solicita apoio das entidades para executar as tarefas. Conforme esse documento, o Núcleo Regional da Seab de Cornélio Procópio estima custos de R$ 120 mil para serviço de máquina para abertura da vala; R$ 86 mil para revestimento da vala (uma manta texturizada, como determina o Instituto Ambiental do Paraná); R$ 30 mil para a compra de 1,8 mil frascos de anestésicos; e R$ 50 para outras despesas, totalizando R$ 286 mil.
Os recursos do Fundepec - cerca de R$ 17 milhões - não podem ser utilizados para pagar essas despesas. Conforme resolução do próprio órgão, o dinheiro só pode ser usado para pagar indenização aos produtores em caso do sacrifício dos animais. O presidente do Sindicarne, Péricles Salazar, preferiu não tecer nenhuma crítica ao governo do Estado, mas classificou essa atitude como ''preocupante'' porque a execução do serviço é obrigação do Estado. ''Esse procedimento só retarda, posterga a agonia da cadeia produtiva'', disse.
Mesmo assim, o Sindicarne, através das indústrias associadas, irá ceder dez faqueiros para realizar a sangria dos animais. O sindicato também se responsabilizou pelo pagamento das despesas pessoais dos profissionais durante o sacrifício. A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) disse que não irá prestar nenhum apoio ao governo. ''É obrigação do governo fazer isso. Eles têm tratores e atiradores, só teriam que comprar as lonas para revestimento e isso poderia ser feito em uma emergência. Parece que o governo não quer resolver a situação que, desde o dia 21 de outubro, está nesse vai não vai'', comentou Carlos Augusto Albuquerque, assessor da Faep.
O presidente da Associação dos Avicultores do Paraná (Apavi), Carlos Casagrande, disse que a entidade não tem recursos para ''apoiar'' o governo do Estado. ''Acho que quem deveria pagar isso é o Ministério (da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) que criou essa situação'', afirmou. Ele acrescentou que se posicionou favoravelmente ao sacrifício do rebanho da Cachoeira porque acreditava que o problema seria resolvido. ''Depois de um mês eles (ministério) resolvem decretar mais focos. O ministério está brincando com toda a cadeia produtiva do Paraná, trazendo prejuízos enormes'', comentou.
Procurada pela reportagem a assessoria de imprensa da Seab disse que o governador Roberto Requião (PMDB) e o vice Orlando Pessuti, também secretário de Agricultura, decidiram solicitar apoio às entidades pertencentes ao Fundepec para ''agilizar'' o sacrifício, uma vez que o governo é obrigado por lei a licitar todas as suas compras.


