PR quer prorrogar prazo para não perder o controle da Copel
O receio de não ter dinheiro até 31 de dezembro para recuperar 48% das ações da Copel que caucionam uma operação financeira do governo no Banestado levou o governo do Estado a apelar para o Banco Central. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, encaminhou ofício a Brasília pedindo que o Estado tenha mais tempo para pagar a compra dos títulos públicos de Alagoas, Santa Catarina, Osasco e Guarulhos feita há mais ou menos um ano. O governo foi obrigado a ficar com esses precatórios devido ao saneamento do Banestado. Como não tinha dinheiro para pagar na época, ofereceu ações da Copel como garantia.
O governo torce agora para que os Estados e municípios que emitiram os papéis honrem o compromisso de resgatá-los. Caso contrário, serão os cofres públicos paranaenses que ficarão com o mico da operação financeira feita em 1996 pela Banestado Corretora. O governo terá de conseguir R$ 415 milhões para resgatar as ações da estatal.
Pernambuco já honrou o compromisso e pagou R$ 111 milhões, em julho. O próximo contrato a vencer é o de Alagoas, no próximo dia 20, que tem de recuperar R$ 150 milhões. Osasco com R$ 77 milhões, Guarulhos com R$ 16 milhões e Santa Catarina com R$ 59 milhões têm de fazer o mesmo até 31 de dezembro. Se isso não ocorrer, o governo perde as ações da Copel para o banco que comprar o Banestado, a menos que cubra a operação com recursos próprios. O maior problema para o Estado é o governo catarinense, que se recusou a assinar o termo de compromisso de resgatar os seus títulos.
O governo do Paraná tem pressa em se livrar dos títulos, pois está em jogo o controle acionário da Copel. O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, admitiu ontem que as ações caucionadas significam o controle acionário da companhia de energia. Como representam o controle acionário, estas ações não poderiam valer só R$ 500 milhões, mas sim R$ 3 bilhões, disse o secretário. Na época da operação, o valor de 48% das ações da Copel oferecidas em garantia se aproximava de R$ 400 milhões. (Carmem Murara)





