PR quer ampliar produção de energia alternativa
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quarta-feira, 30 de abril de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba A Companhia Paranaense de Energia (Copel) tem planos de produzir mais 1.100 megawatts de energia eólica com a implantação do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia (Proinfa), criado em 26 de abril do ano passado por lei estadual. Com essa produção, a empresa aumentará em 50% o uso da força do vento como fonte de energia no Estado.
Até agora, a única experiência no Paraná é a Usina de Palmas (95 km a leste de Pato Branco), em operação desde fevereiro de 1999. A usina produz 2,5 megawatts, suficientes para atender 70% da população daquele município. O projeto inicial, no entanto, prevê ampliar a produção da usina para 9,6 megawatts. O Proinfa também estuda a produção de energia a partir da biomassa e projetos para pequenas centrais hidrelétricas.
Os números no Paraná foram apresentados ontem pelo gerente da área de Energias Alternativas da Copel e representante da companhia no empreendimento da Usina Eólica de Palmas, engenheiro Dario Jackson Schultz, durante conferência organizada pela Copel e a Associação Brasileira dos Profissionais Especializados na França (ABPEF), para discutir o aproveitamento de energias renováveis.
''A energia eólica é uma importante fonte, e o Brasil e a França têm interesses comuns no desenvolvimento desse sistema'', afirmou o chefe do Departamento de Energias Renováveis da Agência do Meio Ambiente e da Conservação de Energia (Ademe) do governo da França, engenheiro Philippe Beutin, que esteve em Curitiba para o evento. Hoje, na França, 80% da energia têm origem nuclear, 15% vêm de hidroelétricas e 5% de outras alternativas. A meta, segundo Beutin, é chegar a 2010 com 21% de energia renovável como fonte, com destaque para a energia eólica.
Especialista em energias renováveis, Beutin conta que a França economiza 9 mil toneladas de petróleo anualmente com o uso de dejetos de madeira para o aquecimento de ambientes. Além disso, dejetos orgânicos provenientes da agropecuária produzem biogás, que fornece eletricidade e calor em indústrias. ''Mas o maior benefício das energias renováveis é para o meio ambiente. A França deixa de despejar 4 a 5 bilhões de carbono por ano na atmosfera, contribuindo também para diminuir o efeito estufa'', ressaltou.
Apesar do interesse, os números do Paraná são tímidos se comparados a outros países. A Alemanha, maior produtor de energia eólica no mundo, produz 12 gigawatts de energia pelo sistema eólico. ''Isso é mais do que duas vezes toda a energia produzida pela Copel ou uma Itaipu'', disse o gerente da Copel. Em segundo lugar vem a Espanha e em terceiro os Estados Unidos.
Schultz lembrou, ainda, outras fontes de energia exploradas pela empresa. É o caso da fotovoltaica, que utiliza a energia solar e tem um grande alcance social. Com esta técnica, a Copel leva energia a 300 famílias de 14 comunidades que vivem no litoral norte do Estado (Superagui, Ilha das Peças etc), comunidades indígenas e pequenos povoados.


