Arquivo FolhaA maior surpresaLinha de produção da Chrysler, inaugurada na semana passada em Campo Largo: segundo o BNDES, Paraná recebeu US$ 13 bilhões em investimentos, correpondentes a 11% do total de intenções para o Brasil no ano passadoA economista Denise Rodrigues, responsável pelo estudo Os novos investimentos no Brasil: aspectos setoriais e regionais, diz que as intenções de investir em 1997 fortalecem resultados já encontrados na avaliação dos anúncios de investimentos em 1996: de que está ocorrendo uma desconcentração das atividades produtivas em relação a São Paulo e ao grande polígono em seu entorno, com o alongamento dos eixos de produção em direção ao Nordeste e ao Sul do País.
Essa hipótese ganha reforço, segundo ela, com os fortes incrementos de anúncios de investimentos relativos aos estados do Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Ceará, e à possibilidade de recuperação do estado do Rio de Janeiro e a continuidade do crescimento de Minas Gerais.
Em 1997, conforme o estudo do BNDES, a maior surpresa ocorreu com o Paraná, que teve US$ 13 bilhões de anúncios de investimentos, correspondentes a quase 11% do total de intenções de investimentos para o Brasil. Os recursos anunciados foram distribuídos em sete municípios, mas com forte concentração em Curitiba, especialmente com relação a projetos do setor mecânico: MW/Chrysler (motores), Chrysler (picapes), associação Volks/Audi, Volvo (Caminhões) e o grupo Multibrás.
No Paraná também se destacaram os investimentos em infra-estrutura, necessários à viabilização do forte crescimento industrial do estado: US$ 10,1 bilhões, voltados a concessões de estradas, novas rodovias e energia. Na Bahia, os setores predominantes em investimentos no ano passado foram petroquímica, papel e celulose e infraestrutura.
Também se destacaram empreendimentos nos setores mecânico e eletroeletrônico, novidade para a região. Entre esses, estão os projetos de construção da fábrica de Vans da Hyundai e de automóveis da Skoda, além da transferência das atividades da Semp-Toshiba para a Região Metropolitana de Salvador.
O estado de São Paulo, conforme a pesquisa realizada por Denise Rodrigues, praticamente não apresentou aumento em seus anúncios de investimentos em 1997 em relação a 1996. Todos os que foram anunciados, no entanto, foram extremamente importantes. Distribuídos em 46 cidades, apesar da maior parte estar concentrada na região metropolitana - cerca de US$ 10,1 bilhões - os investimentos anunciados reafirmam o padrão de desenvolvimento que vem ocorrendo desde o final dos anos 80: a interiorização da indústria, de forma bastante pulverizada, abrangendo, inclusive, pequenos municípios paulistas.
O estudo do BNDES mostra que somente no eixo São Paulo-Rio de Janeiro (excluindo as duas capitais e Duque de Caxias) foram identificados US$ 4,5 bilhões em investimentos. Rodrigues ressalta que, além dos setores mecânico e petroquímico, outro que se destaca no estado de São Paulo, é o de serviços. Só no município de São Paulo, segundo ela, são US$ 1,5 bilhão, o que corrobora a hipótese de que estaria havendo um redirecionamento das principais atividades da cidade rumo ao setor de serviços.
A pesquisadora informa ainda que no Rio Grande do Sul, o esforço do estado em promover seu desenvolvimento foi identificado na variedade de setores que anunciaram investimentos em 1997: petroquímico; siderúrgico; mecânico, com duas indústrias montadoras de automóveis (Ford e General Motors), caminhões médios e pesados, de autopeças, alimentos, bebidas e fumo.
No Rio de Janeiro, as intenções de investimentos concentram-se basicamente na área de infraestrutura, com os programas de melhoria da geração e abastecimento energético, melhoria do transporte urbano e expansão do aeroporto internacional do Rio de Janeiro.
No Ceará, os investimentos em infra-estrutura também tiveram forte presença em 1997. Entre eles, se destacam a construção da barragem do Castanhão e do metrô de Fortaleza, a expansão da rede da Teleceará e a implantação de parques eólicos para energia. Também se destacam investimentos no setor siderúrgico, a implantação da fábrica de automóveis da Subaru, os setores têxtil, de calçados, de alimentos e de bebidas, cujos planos de instalação de novas unidades estão em andamento.
As intenções de investimentos em Minas Gerais tiveram um pequeno decréscimo em relação a 1996, mantendo-se bastante pulverizadas, a exemplo de São Paulo. Já os estados de Goiás e o Distrito Federal se mantiveram no mesmo nível de 1996, atingindo um total de US$ 1 bilhão, incluindo os setores têxtil, de alimentos, mecânico e de serviços de turismo.
Todos os demais estados, segundo o estudo do BNDES, apresentaram decréscimo em seus anúncios de investimentos em 1997 em relação a 1996, especialmente Santa Catarina e Pernambuco, que estiveram fortemente envolvidos em escândalos financeiros no ano passado.

mockup