Consolidada a formação de pólos de desenvolvimento em Curitiba, Londrina e no Sudoeste, a meta do governo estadual agora é promover o desenvolvimento regional. O governo estadual pretende mobilizar as lideranças locais e agentes de desenvolvimento, envolvendo todos os setores na formação de novos pólos econômicos em Cascavel, Paranavai, Maringá e outras cidades na região Centro-Sul. Para isso, pretende contar com as lideranças empresariais e universidades para discutir a estratégia, com integração do Estado e iniciativa privada.
O governador Jaime Lerner salienta que a maior vantagem do Estado é o equilíbrio dos investimentos que estão sendo atraídos. Ele lembra que apenas 25% dos investimentos previstos, avaliados em R$ 16 bilhões, são oriundos do setor automotivo. Os demais estão pulverizados em outros segmentos econômicos. Lerner diz que muitos projetos previstos para o interior ainda estão em fase de amadurecimento e em pouco tempo estarão visíveis para a população. Ele cita, como exemplo, o investimento da Sadia, em Ponta Grossa, e os projetos de agroindústria que estão surgindo com força na região Oeste.
Arquivo Folha‘‘O governo vai acionar a iniciativa privada, lideranças e organizações não-governamentais para potencializar essa vocação com todos os instrumentos de que dispõe’’. Ao lado, um exemplo: no Noroeste, iniciativas como o plantio do café adensado terão apoioDaqui para frente, segundo o governador, cada região vai identificar sua vocação econômica e o governo vai acionar a iniciativa privada, lideranças, organizações não governamentais para potencializar essa vocação com todos os instrumentos de que dispõe. A idéia é promover um longo ciclo de crescimento econômico em todo o Estado, reforça o secretário do Planejamento Miguel Salomão. Ele adianta que, com a criação do Banco do Emprego, o governo vai envolver todas as secretarias de Estado para focar o emprego como agente de desenvolvimento. O governo estadual pretende concentrar esforços em duas frentes, diz. A primeira é o financiamento de empreendimentos modernos que geram empregos, pela Agência de Desenvolvimento.
A outra frente será estimulada com a criação de um Fundo de Aval para apoiar pequenos empresários e desempregados. Através do Fundo de Aval, os microempresários, que tiverem vocação para empreendedores, poderão conseguir financiamentos para seus negócios. Segundo Salomão, os microempresários não têm ativos para dar em garantia aos financiamentos, situação que pode ser solucionada com o Fundo de Aval. O secretário afirma que ele será constituído com 6% de capital bancado pelo governo estadual e 4% pelo mutuário. ‘‘Com 10% de formação de fundo, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal já aceitam operar com esse instrumento como garantia’’.
Salomão enfatiza que as obras de infra-estrutura, como o Anel de Integração, privatização do porto de Paranaguá, modernização do aeroporto Afonso Pena e construção de inúmeros aeroportos nos municípios do interior formam um alicerce para o Paraná crescer economicamente.
O secretário aposta na Agência de Desenvolvimento como o grande instrumento de desenvolvimento regional, após a injeção de R$ 100 milhões que está sendo aguardada do governo federal. Estes recursos vão apoiar principalmente os projetos agroindustriais, antecipa. A proposta que está sendo estudada na Seplan é que sejam contemplados com financiamentos todos os projetos que prevêem o fechamento das cadeias produtivas. A proposta apresentada pela Fiep, através de estudos sobre a cadeia produtiva, defende que o produto possa agregar valor através da transformação ‘‘antes de pegar a estrada’’, afirma o secretário.
Serão priorizados os projetos agroindustriais de acordo com a vocação de cada região, preferencialmente onde já existe a produção primária, explica Salomão. O secretário frisa que o governo não pretende focar apenas a agroindústria como objeto de desenvolvimento e modernização do interior. ‘‘Pretendemos estimular o aumento da produtividade e a modernização dos sistemas de cultivo também’’, afirma.
Para Salomão, iniciativas como o plantio do café adensado e modernização da pecuária de corte na região Noroeste são um exemplo desta determinação. ‘‘No Noroeste, a idéia é substituir a pecuária extensiva, onde há uma cabeça de gado por alqueire, por uma pecuária mais intensiva, de qualidade com animais criados em estábulos’’, explica. Outro exemplo é o desenvolvimento da fruticultura na região do Arenito. Ele cita ainda outros exemplos, como do algodão e seda para atrair a indústria têxtil, o de alimentos, em Campo Mourão, o madeireiro, na região Centro Sul. ‘‘Vão representar um salto tecnológico’’, prevê.

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