PR prevê problemas na comercialização
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segunda-feira, 12 de outubro de 1998
Vânia Casado 
A elevação da área plantada com milho e feijão deverá resultar no aumento de 3% na safra de verão 98/99, se as condições de clima forem normais até a colheita. A produção de grãos e algodão deverá atingir 13,83 milhões de toneladas, enquanto a safra anterior rendeu 13,39 milhões de t.
Conforme o último levantamento de safra realizado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, a redução no plantio de soja não será tão acentuada como se esperava. Já a área com algodão deverá cair ainda mais.
Difícil competição A preocupação dos produtores não é com o plantio, e sim com a comercialização da colheita, disse o presidente da Federação dos Agricultores do Paraná (Faep), Ágide Meneguette. Segundo ele, com a queda no preço das commodities, está mais difícil disputar o mercado tanto externo quanto interno.
Meneguette observou que o aumento da produção agrícola nos Estados Unidos e Europa e a redução de demanda na Ásia, tornaram o mercado mais competitivo e isso significa redução de preços.
Para o presidente da Faep, além da disputa no mercado externo, os produtores vão enfrentar a concorrência no mercado interno, porque existe a possibilidade de outros países virem vender aqui produtos como milho, algodão e leite.
Para evitar o agravamento da crise, o presidente da Faep defende a adoção de algumas medidas salva-guardas para restringir as importações imediatamente, não só para defender a Agricultura, mas a economia brasileira como um todo, salientou.
Esses fatores, no entanto, não deverão influenciar agora na decisão de plantio do produtor. Meneguette diz que quem tem intenção de plantar não vai voltar atrás em função das dificuldades de crédito que certamente vão ocorrer.Mas a carência de recursos vai refletir no baixo uso de tecnologia, que poderá comprometer a produtividade da safra de verão, avaliou.
A área plantada com a safra de verão cresce 0,8% nesta safra, passando de 4,93 milhões de hectares ocupados na safra passada para 4,97 milhões de hectares que serão plantados com a safra 98/99. A maior parte dessa área ainda será ocupada com a soja, apesar da redução de 1,63%.
Conforme a previsão anterior, a área plantada com soja seria reduzida em 3%. Apesar de o produtor estar consciente que não vai ter o mesmo rendimento financeiro dos últimos dois anos, o preço de comercialização no mercado externo ainda é superior aos custos de produção. Além disso, o produto tem extrema liquidez, o que traz segurança ao produtor. O plantio de soja cai de 2,82 milhões de hectares para 2,77 milhões de hectares. A produção prevista é de 7,35 milhões de toneladas.
A safra de milho vai ocupar uma área 10% maior em relação ao ano passado. A área plantada cresce de 1,45 milhão de hectares para 1,55 milhão de hectares na próxima safra. Muitos produtores voltaram para o milho este ano, num processo de rotação de culturas. Na safra anterior o plantio de soja aumentou 13% e o milho reduziu 20%.
Agora os produtores optaram pela rotação, amparados pelo cenário econômico que não prevê preços tão estimulantes para a soja, como ocorreu nas safras anteriores. Além disso, o milho está ocupando espaço do algodão que volta a ter drástica redução de área.
Cerca de 26% da área está plantada, e a preocupação é com a falta de luminosidade em função do período chuvoso que pode impedir o desenvolvimento vegetativo das plantas. O normal é que 60% da área já estivesse ocupada com a cultura, calculou a técnica Vera Zardo, do Deral.
A área plantada com feijão deveria crescer 10% no Estado em função da euforia dos produtores provocada pelos bons preços que o produto vem alcançando desde maio. No ano passado foram plantados 460 mil hectares, e a previsão inicial do Deral apontava para uma ocupação de 506 mil hectares com a cultura. Cerca de 55% da área já está plantada e a cultura vem sofrendo com o impacto do clima.
A previsão pode não se confirmar, disse a técnica do Deral, Margoreth Demarchi. O prazo recomendado pela pesquisa já está encerrado em algumas regiões produtoras, e em outras, o prazo está no fim, impedindo o replantio das culturas apodrecidas com o excesso de água no solo.
O período chuvoso já provocou a redução de 10% na produção regional do Sudoeste, com a perda de 7 mil toneladas. Esse volume, segundo a técnica, deverá reduzir em 1,4% a produção estadual avaliada em 490 mil toneladas.
Já a área plantada com algodão volta para os mesmos níveis da safra 96/97, com a ocupação de 59,9 mil hectares. Essa área é 48% inferior ao plantio do ano passado, quando foram ocupados 115,2 mil hectares com a cultura.
Na safra anterior, a cultura foi estimulada pelo governo do estado, que repassou recursos para a compra de semente e insumos, induzindo o plantio tecnificado. Com a redução de área, a expectativa de produção de algodão também cai de 173,6 mil toneladas colhidas o ano passado, para 112,5 mil toneladas.
Em relação a outras culturas, a mandioca terá um aumento de 10% na área plantada, passando de 156 mil hectares no ano passado, para 172 mil hectares este ano. Os produtores ficaram estimulados com o aumento da demanda em função do retorno das atividades das farinheiras e da procura das fecularias. A farinha produzida no Paraná foi disputada pelo mercado em função da seca no Nordeste, que acabou com a produção de mandioca daquela região. Cerca de 53% da área já está plantada.
A área plantada com cana-de-açúcar permanece a mesma do ano passado, em torno de 334 mil hectares, devendo resultar na produção de 27 milhões de toneladas, também a mesma do ano anterior. O plantio será encerrado nos próximos dias, sendo que 85% da área já está ocupada.
COMO FICA
Safra paranaense também muda no ano agrícola 98/99. E volta a sentir preocupações que pareciam superadas, como queda de preços na hora da oferta:
- Perfil da produção muda em favor do abastecimento interno,
- Valor médio da produção é deve cair mais de 10%,
- Necessidade de racionalizar custos reduz uso de insumos,
- Ano difícil para comercializar todos os produtos,
- Conab terá de agir cedo contra achatamento de preços,
- Redução da soja não será tão grande (3%) e milho ocupa área de algodão,
- Área de mandioca cresce 10%; cana se mantém,
- Qualidade será determinante nos preços do café e milho


