Curitiba - O Paraná vai precisar fazer um investimento de R$ 360 milhões para atingir o status de área livre de febre aftosa sem vacinação que inclui contratação de pessoal, reestruturação de barreiras sanitárias nas fronteiras, fortalecimento de conselhos municipais de sanidade agropecuária, entre outras ações. A previsão da Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab) e da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep) é que o Estado consiga o reconhecimento internacional da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) em 2014.
Um estudo realizado pela Faep em parceria com a Universidade de Brasília (UnB) aponta que o primeiro ano de trabalho do Estado seria só para adaptar a estrutura física e humana. Outro ano seria necessário para realizar auditagem e sorologia e, em seguida, fazer a solicitação de reconhecimento nacional ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Só depois disso, viria o pedido à OIE.
O assessor geral da diretoria da Faep, Antônio Leonel Poloni, disse que além de contratar funcionários é preciso interromper a rotatividade de servidores. Segundo ele, isso seria possível com um plano de carreira atrativo que gerasse estabilidade funcional.
Poloni destacou ainda que é necessário concluir a estrutura física dos postos de fiscalização e criar a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná. O órgão daria mais agilidade para as contratações e autonomia financeira e administrativa.
No entanto, Poloni disse acreditar que, mesmo assim, o Estado ainda deve demorar para recuperar suas exportações. Ele previu que, alcançado o status internacional, o Paraná poderá valorizar muito mais o preço da carne para exportação.
O estudo da Faep mostra ainda que desde que surgiram os focos de aftosa até o ano passado, o Paraná teve um prejuízo de R$ 4 bilhões. A maior parte das perdas - R$ 1,8 bilhão, ou quase metade do valor - foram prejuízos com exportações. Além disso, foram calculadas perdas com leite (R$ 258 mil), custo operacional do saneamento (R$ 650 mil), indenizações (R$ 6 milhões), perdas do Valor Bruto da Produção na Bovinocultura e Suinocultura (R$ 900 milhões) e perdas com efeito multiplicador no Produto Interno Bruto (PIB) (R$ 1,3 bilhão).
Os focos de aftosa tiveram efeito multiplicador. Em 1998, o Paraná exportou 8,6 mil toneladas de carne suína. Quando o Estado atingiu o status de área livre com vacinação em 2000 o volume exportado saltou para 15,7 mil toneladas e, em 2005, chegou a 91 mil toneladas. No ano seguinte, houve uma queda brutal para 30,2 mil toneladas. No ano passado, o Estado ainda estava no patamar de 56,4 mil toneladas.
Nas exportações de carne bovina a situação foi semelhante. Em 1998, o Estado exportou 4,1 mil toneladas, em 2000 subiu para 11 mil toneladas e chegou ao pico de 45,7 mil toneladas em 2004, que caiu para 12,3 mil toneladas em 2006. No ano passado, foram exportadas 22,1 mil toneladas.

mockup