PR precisa de R$ 415 mi até fim do ano para não perder ações da Copel
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quarta-feira, 30 de agosto de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O banco que comprar o Banestado no próximo dia 17 de outubro poderá levar R$ 415,731 milhões em ações da Copel, operação que está sendo considerada como um brinde nos bastidores do mercado financeiro nacional. As ações representam algo em torno de 25% do capital total da empresa. Os papéis estão caucionados no Banestado desde 1997, quando a corretora comprou precatórios de Alagoas, Pernambuco, Santa Catarina, Guarulhos e Osasco. O governo do Estado, que assumiu a dívida dos títulos podres por causa do saneamento, tem até o dia 31 de dezembro para recuperar as ações da Copel, mas para isso terá de conseguir os R$ 415 milhões.
Caso não consiga recuperar as ações caucionadas, o banco que comprou o Banestado se tornará acionista da Copel. Mas o governo tem duas maneiras para não perder boa parte das ações, ficando sob ameaça futura de perda do controle acionário da empresa. Ou obtém dinheiro (R$ 415,731 milhões) para pagar o banco ou, então, convence os Estados e municípios que emitiram os títulos podres a fazer o resgate. Pernambuco resgatou seus títulos em março deste ano, livrando o Paraná de ficar com um mico de R$ 146,26 milhões. O dinheiro foi usado para o resgate das ações. Alagoas está prestes a fazer o mesmo procedimento.
Os títulos que não forem resgatados pelos Estados, nós teremos que arrumar dinheiro para não perder as ações da Copel, afirmou ontem o secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho. Ele disse qua há um empenho do Estado em arrumar o dinheiro, mas não soube informar de onde ele viria.
Ainda não é possível saber de quanto poderá ser o mico que ficará nas mãos do governo e se ele realmente existirá, pois há a possibilidade de que todos os Estados e municípios, que negociaram precatórios com o Banestado, honrem seus compromissos.
Na avaliação de um integrante do Banestado que não quis se identificar, o governo corre o risco de perder as ações da Copel caucionadas. Eles (governo) teriam de ter negociado uma mudança no contrato. Agora o tempo está apertado. O governo será executado ou, na melhor das hipóteses, conseguirá renegociar o contrato, afirmou. A Folha tentou ouvir o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, mas ele não foi localizado. Foram feitas sete ligações para o celular de Gionédis, mas não havia comunicação. O gabinete do secretário informou que ele havia viajado à tarde e a assessoria, informada sobre o assunto, disse que também não conseguiu falar com ele.
A polêmica levantada ontem é se o Estado perderá ou não o controle acionário da Copel, caso não recupere as ações caucionadas. O presidente da Copel, Ingo Hubert, disse que isso seria muito difícil. O governo continua majoritário, pois continuará a deter o maior número de ações ordinárias em relação aos demais acionistas, afirmou Hubert. Ele disse que, teoricamente, a única mudança seria a inclusão de mais um acionista na empresa.
O governo do Estado tem 58,6% do capital votante, que é formado pela quantidade de ações ordinárias (ONs). Considerando o capital total (ordinárias mais preferenciais), o Estado tem 31,1%.


