Curitiba - O Paraná poderá ser o primeiro estado brasileiro a produzir e comercializar o chamado ''chip do boi'' - um transponder para aplicação em sistema de rastreamento de animais. O projeto, que está sendo desenvolvido pelo Laboratório de Tecnologia do Paraná (Lactec) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e a Pequena Empresa (Sebrae) e com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), já foi testado e os estudos ficarão prontos em maio. A idéia é patentear uma tecnologia nacional, barateando os custos. Atualmente, um brinco custa R$ 7,70 para monitoramento do boi. O novo chip, também em formato de brinco, deverá custar menos de R$ 5,00.
A partir de junho, deverão ser produzidos os primeiros chips piloto para acompanhamento de gado e ajustamento do monitoramento de dados em planilhas locais e nacionais. O custo inicial do projeto foi de R$ 300 mil. Para finalizar, os técnicos estimam que sejam necessários investimentos na ordem de R$ 500 mil a R$ 1 milhão (dependendo da quantidade que for produzida para o teste). Ontem, técnicos do Lactec pediram o apoio governamental para o projeto para o ministro Reinold Stepahnes (da Agricultura). Além do monitoramento tradicional, o chip nacional poderia embutir dados sobre a temperatura e as condições físicas do animal.
''O rastreamento do gado é fundamental para abrir os mercados internacionais. Principalmente na União Européia -que só aceita gado monitorado'', afirmou Stephanes, sem dizer de que forma o ministério da Agricultura poderá colaborar para o projeto do Lactec. Stephanes está preocupado é com as exportações da carne brasileira. Até agora, pouco mais de cem fazendas tiveram a carne in natura aprovada para venda na União Européia -que só aceita comprar carnes nobres (21 a 25 quilos do boi). Stephanes acredita que poderá agregar entre 2 mil a 3 mil novas propriedades rurais em curto prazo. ''Tudo depende dos próprios produtores. Hoje existe uma burocracia que tem que ser respeitada. As normas estão vigentes há oito anos e não cumpríamos. Teremos que cumprir inicialmente. O segundo passo será reduzir a burocracia em torno dessas normas'', afirmou ele.
No caso do Paraná, nenhuma propriedade será liberada até o fim deste ano porque o Estado ainda não é considerado como área livre de febre aftosa pela Organização Internacional de Epizootias (OIE). Procedimentos científicos estão na França e a liberação será discutida entre março e setembro. Stephanes esteve ontem em Curitiba participando de uma reunião da Câmara Setorial de Orgânicos. A reunião tem como meta estruturar o setor para se adequar as normas previstas na nova lei federal dos produtos orgânicos. Hoje, o Paraná é o segundo maior produtor de alimentos orgânicos do País, com uma produção anual de 94 mil toneladas e cerca de cinco mil produtores, responsáveis por uma área cultivada que atinge 14 mil hectares no Estado.

mockup