A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) autorizou ontem o governo do Paraná a vender cerca de 8,3 milhões de ações preferenciais da Copel (a maior oferta de ações deste tipo desde o início do governo Lerner). O leilão deve ser realizado até sexta-feira, seguindo os prazos legais de divulgação em jornal, apresentação de propostas e garantias dos interessados nas ações junto à Banestado Corretora, que vai operar o leilão na Bolsa de Valores do Paraná.
Pelo registro mínimo junto à CVM, o governo do Estado - que detém além dos 60% das ações ordinárias com direito à voto da Copel, mais cerca de 60% das ações preferenciais (sem direito a voto) - propôs vender as ações por R$ 149,4 milhões, ao valor médio dos últimos 20 pregões, ou seja R$ 18,00 o lote de mil ações. Mas, de acordo com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, o governo espera um ágio de 10% a 15% no dia do leilão.
O ágio não deve ser maior, acredita o secretário, em função da alta que as ações do setor tem apresentado nos últimos meses. Segundo Gionédis, ‘‘há um ano as ações sem direito a voto estavam cotadas a R$ 5,00 o lote e não tinham mercado, agora está perto de R$ 20,00 e se consolidaram’’. Os leilões de ações preferenciais da Copel, segundo o secretário, foram programados de forma gradativa e à espera de melhor valorização.
Este é o quarto leilão deste tipo de ação no governo Jaime Lerner - o maior em volume de ações oferecidas em venda direta - e todo o dinheiro arrecadado, por força de lei, será empregado no financiamento de obras do governo, seja ele financiamento direto ou a contrapartida do Estado junto a financiamentos já previstos. Entre as obras estão a Costa Oeste (infra-estrutura no setor de turismo na região Oeste do Estado), obras de saneamento e de controle de enchentes no litoral do Estado (cujos recursos antes previstos estão bloqueados no Senado), entre outros.
Segunda-feira sai publicado no jornal Gazeta Mercantil comunicado do governo do Estado aos interessados sobre a oferta das ações. Eles terão 48 horas de prazo legal para responder ao comunicado, apresentando a garantia para a realização do negócio. Terminado este prazo, começa a correr outro de 48 horas que vai acabar com a realização obrigatória do leilão na sexta-feira. Se a publicação não saísse na segunda-feira, o governo ainda teria prazo até 11 de outubro para realizar a venda, seguindo autorização da CVM.

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