O Paraná poderá ter uma faixa de segurança com o Paraguai para minimizar os problemas de sanidade animal e vegetal. A defesa agropecuária foi apontada pelo ministro recém-empossado Reinhold Stephanes, na pasta da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, como a principal dificuldade a ser administrada durante a sua gestão. O assunto foi abordado ontem, durante visita do ministro à FOLHA. Segundo ele, o setor está passando por uma reestruturação que irá definir as novas diretrizes. A estimativa é o estudo seja concluído em três ou quatro meses.
''O setor mais sensível é a defesa sanitária animal e vegetal. Vigilância e prevenção são fundamentais e, por isso, vamos trabalhar para melhoria de recursos, vamos nos concentrar no aumento de recursos'', disse Stephanes. No entanto, ainda não está definido em quanto o orçamento poderá ser ''melhorado''. Além da reestruturação da própria equipe do ministério, os laboratórios também deverão ser melhor equipados e deverão ser definidas novas ações. Também poderá ter aumento no contingente de técnicos agropecuários.
''Não adianta o Brasil resolver o problema aqui e termos problemas na Bolívia ou no Paraguai. Pretendemos tentar um acordo com o Paraguai para atuar na divisa, para criar uma faixa de segurança ou entrar em todo o País'', explicou o ministro. A idéia é agir no Paraná e no Mato Grosso do Sul de forma semelhante ao Mato Grosso, que já criou uma faixa de segurança na fronteira com a Bolívia. Mas ele reconhece que depois dos estudos concluídos, há necessidade de aprovação. ''Tudo depende de negociação, a implantação pode levar um, dois, três anos'', disse.
Aftosa - Sobre as questões sanitárias que ainda envolvem o Paraná, depois de mais de cinco meses do término das ações sanitárias, Stephanes preferiu ''não discutir a polêmica''. No entanto, ele acredita que o Mapa tenha se dedicado a resolver os embargos que ainda recaem sobre o Paraná. ''Essas organizações internacionais têm muitas regras, normas, burocracia. Tudo isso é muito rigoroso e muito burocrático'', ressaltou. Apesar disso, ele garantiu que o ministério estará empenhado em resolver o problema do Paraná.
Para a agricultura, o ministro já tem uma visão mais clara. ''Em princípio as dívidas estão equacionadas. Os produtores ganharam prazos, é claro que ainda temos que discutir os juros mas, de forma geral o panorama da agricultura está bom'', comentou. Na avaliação dele, a política agrícola de sustentação já vem sendo bem conduzida. Ele anunciou também novidades para a próxima safra de verão (2007/08) que já estão sendo discutidas. As equipes dos ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Banco do Brasil já iniciaram discussões e as políticas devem ser divulgadas em junho.
Sobre os problemas com a infra-estrutura para escoamento da safra, Stephanes disse que o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) já prevê investimentos importantes, principalmente, na Região Centro-Oeste. Serão aumento de recursos para construção de ferrovias, asfaltamento de rodovias e melhoramento dos portos. ''Além disso, já foi feito um estudo, coordenado pelo ex-ministro Roberto Rodrigues (da Agricultura), que discute a questão com profundidade, mas ainda não recebi este trabalho'', comentou.

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