PR pode ser área livre de transgênicos
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quinta-feira, 02 de outubro de 2003
Agência Estado 
Curitiba - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, admitiu ontem que o Paraná pode ser declarado área livre de transgênicos, como pretende o governador Roberto Requião (PMDB). ''A medida provisória permite ao Ministério da Agricultura definir áreas livres de plantio, desde que realmente sejam livres de plantio'', disse Rodrigues, em Campo Mourão, no centro-oeste do Paraná, durante a Festa do Plantio, que dá início à safra 2003/2004.
''Se o Paraná não tiver soja transgênica seguramente será (declarada área livre).'' O governador acompanhou o ministro em Campo Mourão e reforçou a intenção do Estado de superar os 30 milhões de toneladas de grãos na safra. Ele disse que o governo criará programas para reduzir os custos dos agricultores e permitir que o plantio em todo o Estado seja feito exclusivamente com grãos convencionais. ''Se eu estiver errado daqui a três ou quatro anos nós poderemos voltar atrás. Se eu estiver certo e o governo entrar com a transgênica não tem volta, como não teve volta no Rio Grande do Sul'', argumentou.
Os gaúchos vinculados à cadeia produtiva da soja ironizam a proposta do governo paranaense de proibir o trânsito dos grãos transgênicos produzidos no Rio Grande do Sul até o porto de Paranaguá. E enumeram motivos pelos quais a iniciativa seria inviável: parte dos agricultores do Paraná também planta organismos geneticamente modificados, a soja transgênica paraguaia cruza o Estado para chegar ao porto e os navios carregados na Argentina completam cargas no terminal paranaense. Além disso, apenas uma pequena parte do grão colhido no Rio Grande do Sul é exportada por Paranaguá. Quase toda a produção é escoada pelo porto de Rio Grande.
''Ele (Requião) que deixe de bobagem'', sugere o diretor da Brasoja, Antônio Sartori, sem acreditar na proibição, assim como não vê qualquer possibilidade da incineração de estoques prevista pela medida provisória que autorizou o plantio. ''Ele é competente e sabe que não deve implantar legislação que não pode ser cumprida.'' Sartori diz que já ouviu de cooperativistas paranaenses que 30% da soja do Estado é transgênica. ''Se fizerem testes em Paranaguá verão que, misturada, toda soja vai ser considerada transgênica'', provoca.
O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), Rui Polidoro Pinto, diz que se não puderem comercializar por Paranaguá, os produtores paranaenses terão que fazer como os gaúchos, exportar por Rio Grande. O presidente da comissão de grãos da Federação da Agricultura no Rio Grande do Sul (Farsul), Jorge Rodrigues, destaca que a maior parte da exportação paraguaia sai por Paranaguá. ''Como vão resolver esse problema?'', pergunta. Rodrigues também lembra que o baixo calado dos portos argentinos faz com que os navios não saiam daquele país totalmente carregados. Eles complementam as cargas em Rio Grande ou Paranaguá, onde os grãos são misturados.


