PR pode ser 1º a abrir mão da geração
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sábado, 09 de junho de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Há várias décadas a Companhia Paranaense de Energia (Copel) deixou de ser apenas uma empresa de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Nos últimos anos a diversificação na empresa foi intensificada. Isso tem garantido à Copel desempenho técnico e financeiro superavitário. Hoje, além de produzir 7,6% da energia brasileira, a Copel atua em setores que vão desde as telecomunicações até agribusiness, passando por distribuição de gás natural, produção de termeletricidade, saneamento e até mesmo consultorias ambientais. Os negócios da Copel também são bastante rentáveis às empresas privadas que se associam à estatal para novos projetos.
A Copel possui hoje uma rede de milhares de quilômetros de cabos de fibra ótica, a Infovia, para transmissão de dados e atende dezenas de empresas. Presta consultoria e realiza projetos de novas usinas e de impacto ambiental em vários continentes, além de estar preparada para concorrer com empresas privadas no Mercado Aberto de Energia (MAE), através da Tradener comercializadora de energia, da qual é sócia principal.
Para se ter idéia da importância da diversificação das atividades da Copel, no ano passado a Copel investiu R$ 283,6 milhões em participações e projetos em outras atividades que não a produção e distribuição de energia. Para toda a área de energia, a Copel destinou R$ 400 milhões no mesmo período.
Nos últimos anos a empresa passou por uma remodelação administrativa para organizar todas as atividades. A Copel se transformou em uma holding que detém 100% das ações de cinco subsidiárias: Copel Geração S.A., Copel Distribuição S.A., Copel Transmissão S.A., Copel Telecomunicações S.A. e Copel Participações S.A. As três primeiras estão ligadas à produção e comercialização de energia. A última é sócia de outras 18 empresas em investimentos nos mais variados setores.
De todos os investimentos, a Copel é sócia majoritária apenas em um, a Companhia Paranaense de Gás (Compagas). Em outros oito negócios ela é a sócia principal, mas possui menos de 50% das ações. E no restante a Copel entra como sócia minoritária.
Nas próximas semanas, o governo do Estado estará divulgando a forma de privatização da empresa estatal. Se a opção for pela venda da holding, o Estado abrirá mão de investimentos em setores tão estratégicos quanto a produção de energia. Por exemplo, poderá passar para a iniciativa privada o monopólio da distribuição de gás natural no Estado. E o Paraná perderá a participação em empreendimentos importantes, como novas usinas hidrelétricas no Brasil e no exterior.
Uma alternativa seria e venda separada das empresas, mantendo o controle estatal em alguns setores. Especialistas apontam que o melhor caminho para as áreas de transmissão e distribuição é privatizar. Porém, até agora, nenhum Estado abriu mão do setor de geração de energia. Isso porque as usinas hidrelétricas têm condições de produzir energia barata e continuar gerando receita para o pode público. A Copel Participações também é rentável e não sofre as restrições impostas pelo governo federal para forçar a privatização do setor energético.
A pior alternativa para o Paraná seria a proposta de venda da holding fechada, consideram analistas. Assim, o Estado perderia ativos importantes e restringiria o número de potenciais compradores da empresa em função do elevado valor de venda, que poderá passar dos R$ 4 bilhões. A privatização da holding só seria justificada se o governo precisar de recursos para socorrer o caixa do governo imediatamente, gerando prejuízos a médio e longo prazos.
A área de telecomunicações é a mais antiga na diversificação da Copel. Atualmente a empresa tem um anel de fibra óptica de 2,2 mil km no Estado. Em perímetros urbanos são mais 800 km de acessos por cabos que usam os postes da rede de distribuição de energia elétrica. Em função desses investimentos, a Copel presta serviços a operadoras de telefonia como a Embratel, Global Telecom, GVT, Brasil Telecom, IMPSAT e Secomtel. Além disso, atende clientes corporativos como supermercados, instituições de ensino, bancos, indústrias e provedores de acesso à internet.
No ano passado, a Copel Telecomunicações atendia 43 clientes diretos e outros 49 por intermédio de outras empresas, totalizando 363 conexões. O faturamento da Copel Telecomunicações em 2000 foi o que mais cresceu em toda a holding. Enquanto a receita bruta da Copel cresceu 23% em 2000, o faturamento da Copel Telecomunicações apresentou um desempenho 270% maior no ano passado que em 1999. O faturamento externo da Copel Telecomunicações em 2000 foi de R$ 20,3 milhões.
Apesar de discordar do posicionamento da atual direção da Copel sobre a privatização da empresa, dirigentes sindicais ligados aos eletricitários concordam com a diversificação de atuação da empresa. Para o diretor financeiro do Sindicato dos Empregados em Concessionários de Serviços de Geração, Transmissão, Distribuição e Comercialização de Energia (Sindenel), Stanislaw Gramowski, os investimentos em vários setores foram uma boa estratégia. Com a globalização, a tendência é de multiserviços e em função dessa política da Copel é que a empresa tem servido de garantia a empréstimos ao Governo do Estado até mesmo para pagamento dos salários do funcionalismo, diz o sindicalista.
Em comentários recentes aos funcionários da Copel, o presidente da empresa Ingo Hubert, que está em viagem ao exterior, acentuou a importância da diversificação dos negócios. Com a abertura do mercado, a estratégia implementada pela Copel foi a de rapidamente se transformar em uma multiutility, com projetos em áreas de gás canalizado, água e saneamento, tecnologia da informação e consultoria nas diversas especialidades da engenharia, afirmou. A Copel foi a primeira empresa do setor energético brasileiro a obter concessão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para operar redes e conexões de alta velocidade.
Outro projeto da empresa na área de telecomunicações é introduzir no Brasil a tecnologia de acesso à internet por meio dos fios de luz. Isso democratizará e praticamente vai universalizar o acesso dos cidadãos paranaenses à rede mundial de computadores. Em países como a Inglaterra, por exemplo, onde o processo de privatização do setor energético é mais antigo, as empresas de energia chegam a vender até mesmo seguros.
O QUE É A COPEL ENERGIA


