A proximidade com a Suíça, com sua centenária indústria de relógios mecânicos, fez dos franceses da região Franche-Comté os melhores do mundo numa especialidade que tem a cara dos japoneses: a fabricação de peças e componentes absurdamente pequenos e resistentes, indispensáveis para as indústrias automobilística, de automação, biomédica, de telecomunicações e diversas outras, sem contar a de relógios.
Essa obsessão por ‘‘coisinhas miúdas’’ gerou também enormes capacidades na eletrônica, na mecânica de precisão e, mais recentemente, na mecatrônica (que funde todas as especialidades com a informática), gerando uma poderosa indústria de aparelhos, ferramentaria e máquinas para fabricar ferramentas.
Pois agora os franceses parecem dispostos a compartilhar com o mundo suas habilidades, até hoje restritas a poucos países do norte da Europa e Ásia. Para a Micronora 98, principal evento mundial de Microtécnicas, que aconteceu na semana passada em Besançon, capital da região Franche-Comté, a leste da França, fronteira com a Suíça, o governo do país e a Comunidade Européia convidaram duas missões da América do Sul, uma da província de Córdoba, na Argentina, e outra do Paraná.
Atentos à enorme expansão industrial do Mercosul, especialmente nos setores automobilístico, de telecomunicações e outros, os campeões das microtécnicas vão pavimentando o caminho para embarcar sua tecnologia também no continente americano.
Durante toda a semana, além de contatos diretos das sete empresas brasileiras e argentinas com as francesas, que poderão gerar parcerias e negócios a médio prazo, ocorreram diversos contatos institucionais, visando criar espaços e oportunidades de integração entre a região Franche-Comté e, no caso, o Norte do Paraná.
Num deles, a delegação paranaense entregou ao presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Doubs, um dos departamentos da região, e ao presidente da Sociedade Micronora, convite oficial do Município de Londrina e Estado do Paraná, para que empresas da região participem da Infotech 99 - Feira de Tecnologia, Telecomunicações e Informática de Londrina, de 7 a 12 de setembro.
Na sequência, os representantes paranaenses debateram com Denis Montavon, da Micronora, a viabilidade de implantação de um parque ou distrito industrial de microtécnicas no Paraná, com participação de empresas associadas à Micronora, para fornecer o mercado do Mercosul. Para o Paraná, seria a possiblidade de ter um pólo de excelência único no continente.
Segundo Montavon, a possibilidade existe em tese, mas depende da percepção que as empresas tiverem do mercado - o que aumenta a importância e o interesse por uma participação na Infotech em 1999.

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