PR pode descolar ações para vender Copel
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de novembro de 2001
Vânia Casado<br>De Curitiba 
A viagem do se cretário da Fa zenda, Ingo Hu bert, anteontem e ontem ao Rio de Janeiro, re força a informa ção que vem cir culando no mer cado financeiro de que o governo do Paraná estuda vender apenas suas ações e o controle acionário da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Com isso, o preço mínimo da estatal cairia no mercado e as empresas que desistiram do leilão poderiam voltar a se interessar pela compra da Copel, já que querem o controle acionário da empresa.
O BNDES não confirma, mas a informação que corria ontem nos bastidores era que Hubert teria ido à sede do banco tentar desvincular as ações do BNDEspar, do bloco de venda da estatal. O governo paranaense detém 58,6% do capital ordinário da empresa (31,1% do capital total). O BNDESPar possui outros 24,4% do capital total, enquanto 43,4% estão pulverizados em bolsa, em poder de acionistas minoritários.
O mercado dá importância às ações do governo, porque está em jogo o controle acionário. Sem as ações do governo, a tendência das ações dos outros sócios é perder valor no mercado.
Se o governo conseguir se desfazer das ações do BNDES e dos minoritários, o preço minímo cairia de R$ 5,068 bilhões para R$ 3,5 bilhões, segundo cálculos de um analista. Esse valor tornaria a Copel ''atrativa'' novamente para os grupos pré-qualificados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), como a empresa belga Tractebel e as empresas Vale do Rio Doce e Votorantim, que haviam se associado através do consórcio Maromba. A GP investimentos, outro grupo pré-qualificado, não se manifestou.
Se ocorrer um descolamento das ações, como está comentando o mercado, certamente o valor das ações ordinárias em poder dos minoritários e do BNDEspar tendem a cair, disse o analista Marcos Severini, do Banco Sudameris. Atualmente, as ações ordinárias que dão direito a voto e permitem o recebimento de dividendos por parte de seus controladores valem mais do que as ações PN. E o normal de mercado seriam as ações PN valerem mais, disse Severini.
Ontem, as ações ordinárias da Copel estavam cotadas a R$ 17,00, alta de 2,60% em relação ao dia anterior, e as ações preferenciais estavam cotadas em R$ 15,50, alta de 2,65%. ''Com o ajuste, a tendência é as ações PN valerem um pouco mais'', explicou.
O analista Mohamed Talah Júnior, da Century Gestão de Recursos, está mais otimista em relação a uma terceira tentativa de venda da Copel. Para ele, mesmo que a estatal não descarte as ações do BNDESpar e dos minoritários, o fato é que o cenário econômico mudou e está favorecendo mais os investimentos estrangeiros.


