O número de demissões de trabalhadores com carteira assinada no Paraná superou em 2,67% o total de contratações durante o ano passado, o que representa o fechamento de 35,6 mil postos de trabalho. Os números registrados pelo Ministério do Trabalho colocam o Paraná como o Estado que mais desempregou no mercado formal de trabalho na Região Sul do País. Santa Catarina fechou o mesmo período com um saldo negativo de 2,3% e o Rio Grande do Sul com uma redução de 1,7%.
O percentual é calculado com base na subtração das admissões e demissões nos setores da economia, o que significa dizer que nos três Estados do Sul houve mais cortes do que contratação de mão-de-obra. O Ministério atualiza todos os meses o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, que é feito tomando como ponto de partida o número de carteiras de trabalho que estão sendo feitas e as rescisões contratuais.
Os dados apontam que está ocorrendo um crescimento no volume de desemprego dentro do mercado formal, a cada ano que passa. Em 97, o desemprego atingiu 7,4 mil trabalhadores - feita a compensação em relação às contratações - em todo o Estado, contra os 35,6 mil no ano passado.
O setor de serviços industriais de utilidade pública foi o que mais demitiu, dando um saldo negativo de 7,9%. Isto representa que 1,5 mil trabalhadores da área de serviços perderam o registro em carteira. Na indústria, a variação negativa foi de 4,2%, o que dá uma média de 1,2 mil trabalhadores sem empregos por mês.
A pesquisa do Ministério do Trabalho foi divulgada ontem pelo Dieese. O economista Cid Cordeiro disse que os números refletem a situação econômica do País. ‘‘O governo federal privilegia a política de juros altos e isso prejudica a atividade econômica. O PIB (Produto Interno Bruto) do País cresceu só 0,15%, provocando a estagnação’’. Cordeiro afirmou ainda que o desemprego deve se acentuar neste ano, pois o desempenho do PIB será pior do que em 98.
Nem mesmo as novas indústrias que se instalaram no Estado foram capazes de sufocar o crescimento do desemprego, disse Cordeiro. ‘‘Os investimentos no Estado não têm gerado o número de empregos suficientes em relação a quem quer entrar no mercado de trabalho’’, afirmou o economista.
A faixa etária entre 18 e 24 anos foi a que mais sofreu as consequências do desemprego, com uma parcela de 29% sobre o total de desligamentos. Em seguida estiveram os trabalhadores entre 30 e 39 anos, que representaram 27% das demissões. A pesquisa mostra ainda que 56% das demissões foram feitas antes mesmo de a pessoa completar um ano de emprego.
A comparação dos números mostra que o desemprego se concentrou na região metropolitana de Curitiba, com um saldo negativo de 0,7%. O interior do Estado teve 0,3% mais demissões do que admissões.

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