PR perde US$ 143,4 mi com praga na soja
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terça-feira, 06 de julho de 2004
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A ferrugem asiática, fungo que ataca as lavouras de soja, provocou um estrago na safra 2003/2004. Os prejuízos divulgados esta semana pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) da Soja, de Londrina, foram surpreendentes. No Paraná, os prejuízos atingiram US$ 143,4 milhões, com a perda de 537.650 toneladas de soja, mais os gastos com a aplicação de fungicidas. As perdas no Paraná por causa da ferrugem asiática representaram uma média de 4% em relação à produção estadual de soja.
No País, o relatório da Embrapa aponta que a ferrugem asiática provocou perdas avaliadas em US$ 2 bilhões, que correspondem à quebra de 4,5 milhões de toneladas em decorrência da infestação do fungo. O levantamento mostra ainda que os prejuízos dobraram em relação à última safra. Os estados que mais sofreram foram Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. No Paraná o estrago não foi maior por causa da seca que inibiu a infestação do fungo, disse o engenheiro agrônomo e fitopatologista da Embrapa, José Tadashi Yorinori.
Mesmo assim, nas regiões oeste, central e ao sul de Londrina, o ataque da ferrugem asiática foi intenso e teve produtor que perdeu a lavoura porque não identificou a doença a tempo, disse o agrônomo. Yorinori alerta para a possibilidade de reinfestação na próxima safra. Com isso, os lucros do produtor podem ser reduzidos porque ele terá que aumentar a aplicação de fungicidas nas lavouras. O custo dessa aplicação é estimado entre R$ 120 a R$ 150 por hectare.
De acordo com o técnico, a ferrugem asiática já se expandiu em todo o Hemistério Sul e no Brasil o fungo só não voltará a atacar se a temperatura da região no período de safra se mantiver acima de 30ºC durante o dia. ''Se for um verão chuvoso, o agricultor tem que estar muito atento para não perder, porque o fungo que provoca a doença gosta muito de umidade'', avisou. O problema da infestação da ferrugem é que o fungo fica nas plantas hospedeiras como soja safrinha, soja cipó, soja perene e feijão, que estão praticamente disponíveis o ano todo.
Para evitar prejuízos, Yorinori salienta que o agricultor deve recorrer a uma assistência técnica especializada para que o profissional saiba identificar a doença. Segundo ele, a ferrugem asiática normalmente é confundida com outras pragas e a dificuldade de diagnóstico aumenta os prejuízos com o controle que tem que ser intensificado. Para o agrônomo, daqui para frente o produtor de soja tem que usar tecnologia e assistência técnica adequada. ''Não é só plantar e colher'', lembrou.
Yorinori salientou que o agricultor tem que estar sempre informado sobre o período e condições climáticas que a lavoura fica mais vulnerável ao ataque do fungo através do site da Embrapa ou empresas de assistência técnica. Isso porque o fungo é disseminado também pelo vento e o agricultor que se preocupar apenas em comprar máquinas, uma hora vai perder a máquina e o sítio porque não terá lavoura para pagar o investimento.


