As geadas já causaram perdas de cerca de 900 milhões de toneladas na produção estadual de milho safrinha. Levantamento preliminar do Departamento de Economia Rural (Deral) - órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) - divulgado ontem, aponta para uma redução de 15,5% a 16% na produção total, projetada no mês passado em 5,73 milhões de toneladas. Agora, o Paraná deverá colher 4,8 milhões de toneladas do grão. O Deral não calculou os prejuízos.
No entanto, se for considerado que ontem a saca de milho (60 quilos) estava cotada em R$ 14,96 no Estado, e foram perdidas 900 milhões de toneladas é possível chegar a prejuízos de aproximadamente R$ 277 milhões. As perdas foram causadas por geadas de forte intensidade ocorridas nos dias 30 e 31 de maio e 3 e 4 de junho. ''O problema é que 70% da produção estadual ainda está suscetível às baixas temperaturas, uma vez que as plantas estão em fases de floração e frutificação'', informou a engenheira agrônoma do Deral, Margorete Demarchi. Cerca de 6% da área plantada já foi colhida, mas a safra será encerrada só em setembro.
As regiões mais afetadas pelo clima foram justamente as maiores produtoras: Toledo e Cascavel (Região Oeste), Campo Mourão (Região Centro-Oeste) e Maringá (Região Noroeste). Juntos, esses três locais perderam 757 mil toneladas, pouco mais de 84% do total. De acordo com o Deral, Toledo e Cascavel são responsáveis por 45% da produção estadual de milho safrinha. O primeiro município perdeu 12%, enquanto o segundo, 33%. Já Campo Mourão, que produz 13% do total, registrou quebra em 28%. Maringá colhe 10% de toda a produção estadual e perdeu 6%. A área plantada no Paraná foi de 1,420 milhão de hectares e cerca de 3,5% foi perdido ou 50 mil hectares.
Mesmo com a quebra, o Paraná irá manter a liderança nacional na produção de milho. No total, o Estado colhe 13,7 milhões de toneladas do grão, concentrando 27% do total produzido no País. O segundo maior produtor é Minas Gerais, que é responsável por 12% do milho produzido em solo brasileiro. O Brasil produz 50,66 milhões de toneladas.
Feijão - As intempéries climáticas também causaram prejuízos aos produtores de feijão. A segunda safra terá uma redução de 17% ou 42 mil toneladas. Nas três safras, o Estado irá produzir 794 mil toneladas, mantendo a liderança da produção nacional. No mês passado, o Deral já havia rebaixado a produção em 13% devido às secas que atingiram a Região Centro-Sul e ao excesso de chuvas na Região Sul, que contribuiu para a disseminação das pragas.
A produção menor refletiu diretamente nos preços, que aumentaram quase 50% desde abril. Há dois meses, o preço médio da saca de 60 quilos de feijão carioca era de R$ 42; ontem, a saca estava cotada em R$ 60. Já o feijão preto teve seu preço reajustado em 18% desde abril. A cotação saltou de R$ 33 (há dois meses) para R$ 39 (ontem). A safra já está na reta final da produção.

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