PR perde 16 milhões de sacas de milho
Armazenagem de milho malfeita provoca prejuízo de R$ 100 milhões/ano. Campanha tenta estancar desperdício
Vânia Casado
Mais de 16 milhões de sacas de milho (R$ 100 milhões) são perdidos anualmente no Paraná e 30% desse desperdício é provocado pela armazenagem inadequada: os grãos têm a qualidade comprometida e perdem o valor comercial. A deterioração oferece riscos à saúde do consumidor.
Para mudar o quadro, a Emater-PR e a Embrapa estão intensificando a prevenção contra perdas no milho. Para o engenheiro agrônomo da Emater, Valmor José Corrêa, a forma incorreta de armazenar o milho atrai insetos e fungos. Os fungos causam o apodrecimento das espigas e podem produzir substâncias venenosas para as pessoas e para os animais, como as micotoxinas, uma das maiores preocupações em segurança alimentar no mundo.
O trabalho de prevenção das perdas começa pela secagem do milho, recomenda Corrêa. O milho deve ser colhido o mais seco possível, já que a umidade acima de 13%, cria a formação das toxinas. Para evitar as perdas, os produtores são orientados a fazer o expurgo (tratamento químico) antes da armazenagem, quando as espigas já vêm atacadas por pragas das lavouras. Corrêa explica que essa operação é simples, mas deve ser feita sempre com orientação técnica. Depois de expurgado o produto, um paiol bem-feito e ventilado complementa o tratamento, ensinou o técnico.
A preocupação com a cultura aumenta à medida que o milho é produzido por praticamente todos os produtores, para subsistência ou para a agroindústria da carne. O Estado se destaca como primeiro produtor de milho no país, com uma produção anual de 7 milhões de toneladas, e exporta 12% desse total para a agroindústria do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
De acordo com o técnico, a perda tolerável de grãos durante a colheita é de um saco e meio por hectare. Para atingir esse índice, haverá um sistema de medição do desperdício, semelhante ao da soja. As avaliações começaram nesta safra e os primeiros resultados serão concluídos após a colheita da safrinha, em julho.

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