Devido ao acordo de saneamento do Banestado firmado no ano passado com o Banco Central, o dinheiro que o governo arrecadou com o leilão do banco passará longe dos cofres públicos estaduais. O total de R$ 1,625 bilhão irá direto para a Secretaria do Tesouro Nacional, garantindo um abatimento de 25% da dívida de R$ 6 bilhões (valores corrigidos) que o Estado fez com o governo federal para recuperar o Banestado. Os valores serão creditados ao Tesouro Nacional no dia 24 deste mês, quando o Itaú de fato assume a administração, ao fazer a Assembléia Geral dos Acionistas que elegerá o nome dos novos administradores.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse que a condição básica para sanear o Banestado era garantir que o dinheiro de sua venda amortizasse o saldo devedor da dívida, que levará 30 anos para ser paga. ‘‘Não veremos a cor desse dinheiro. Ele não passará por aqui’’, declarou. Gionédis afirmou que hoje o Estado paga de prestação para o Banco Central em torno de R$ 38 milhões por mês, mas com a venda do Banestado a parcela cairá para R$ 28 milhões. O saldo devedor é corrigido pela Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP) que tem uma correção anual de 6%. Com o repasse do dinheiro do leilão, a dívida cai para R$ 4,235 bilhões.
O governador Jaime Lerner comentou que a redução nas prestações dará uma folga maior aos cofres públicos. ‘‘Esse dinheiro que economizaremos todos os meses permitirá investir em projetos sociais’’, disse.
Com a venda do banco, o Estado também fica livre da penalidade de R$ 14 milhões imposta pelo Banco Central caso houvesse atraso na privatização. O governo deveria pagar a taxa a partir de novembro deste ano, quando expiraria o prazo dado pelo Banco Central para a concretização da venda.

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